quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Quando penetramos numa floresta onde ainda não houve interferência humana, a nossa mente pensante vê apenas desordem e caos em seu redor. Já não é capaz de distinguir entre vida (o bem) e a morte (o mal), pois em todo lado vê uma nova vida a brotar da matéria putrefacta e em decomposição. Só se estivermos suficientemente em paz por dentro e se o ruído do pensamento acalmar é que conseguimos ter consciência de que existe neste local uma harmonia oculta, um caráter sagrado, uma 
ordem divina de maior amplitude, na qual tudo ocupa o seu lugar perfeito e não poderia ser diferente do que é, nem de outro modo.
A mente sente-se confortável num parque construído pelo ser homem, pois foi planeado através do pensamento; não cresceu organicamente. Há uma ordem que impera neste local que a mente consegue compreender. Na floresta, há uma ordem incompreensível que, para a mente, se assemelha ao caos. Estende-se para além das categorias mentais do bem e do mal. Não a conseguimos entender através do pensamento, mas conseguimos senti-la quando abandonamos o pensamento, quando estamos em paz e alerta e não tentamos compreender nem explicar coisa nenhuma. Só então podemos ter consciência do caráter sagrado da floresta. Assim que sentimos essa harmonia oculta, esse caráter sagrado, apercebemo-nos de que não estamos separados dele e, ao constatarmos esse facto, fazemos parte dele conscientemente. Desta forma, a Natureza pode ajudar-nos a voltar a estar em sintonia com a totalidade da vida.
Eckhart Tolle (Um Novo Mundo, pág. 161)

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