domingo, 28 de janeiro de 2024

 1632




UMA NOTA OU OUTRA 

Somos flores nascidas do teu jardim, com cores e formas diferenciadas.  Há algum tempo, já o deixaste; enquanto nós, por nossa vez, vicejamos em canteiros próprios, espargindo perfumes únicos, de diversas combinações, mas todas, lembrando uma ou outra nota de tua essência originária.


28 de janeiro - dia do aniversário de nossa mãe

arte  __  silke leffler

sábado, 20 de janeiro de 2024

 1631




UMA GRANDE MULHER 

Eu conheci muitos homens valorosos, mas de valor para além das posses e títulos.  Conheci muitas mulheres abençoadas, não pelas dádivas recebidas.  

O valor veio da retidão, honestidade e respeito no convívio com seus semelhantes.   A bênção, não era coisa dada, mas sim cultivada, apesar das perdas, fracassos e frustrações; como pérola forjada em ambiente hostil, feita de resiliência, coragem, fé e altruísmo.  Numa conquista alcançada, a despeito de todos os desafios inevitáveis da vida, sobrepujando as limitações - recebe o coroamento da existência.

Em especial, eu quero falar sobre uma mulher, cujo nome bem diz a que veio a este mundo – Amparo!   Hoje, chegou a vez dela, de ser amparada pela espiritualidade, ela que tanto amparou!  Receba os louros, os aplausos de uma vida vivida, distribuindo bênçãos de amizade, amor, companheirismo, solidariedade.  Uma pessoa gostosa no trato, impossível de não se amar!  Sempre com uma palavra de carinho, de aconchego, de esperança; porque na verdade suas palavras, sempre nasceram do seu grande coração, e agora se transformaram em luzes a iluminar a sua trajetória.

Hoje, me considero de certa forma, um pouco órfã e me despeço dela, grata, por seu caminho ter cruzado com o meu; por eu ter bebido, tantas vezes da sua fonte!   Só posso pensar num até breve!  Fique em paz!


sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

1630




APENAS UM ACORDE

A música é pano de fundo, marcando definitivamente, os momentos da nossa vida.  Alguns deles não quereríamos esquecer, e mesmo, quando parecem desaparecer da nossa memória, é ela - a música, quem os traz de volta em minúcias, íntegros de emoção e imagens claras.  E mesmo ainda, quando de fato, queremos esquecer, somos jogados contra as paredes das lembranças, com todos os seus pormenores, até de cheiros e gostos.  Ao ouvirmos seus primeiros acordes, os nervos acordam aptos a ressentirem, todas as emoções e sensações.

Mas ela também pode criar momentos, que nunca existiram, nossos desejos já tem em si a matéria prima para cria-los, e quando estes se alimentam da sutileza das notas que nos tocam a alma, condensamos lembranças, que acrescentadas à nossa memória, tornam mais do que reais para nós, esses instantes! Tantas vezes são um lugar de aconchego e prazer, que as nossas escolhas nos negaram!

Ah! ... a música eterniza, cria, faz renascer, castiga, encanta ... Imortaliza momentos plenos de sentimentos, não importando se foram vividos ou apenas imaginados, desenhados com muito cuidado, feitos de tecido sensível e ao mesmo tempo resistente, permanecem vívidos, para serem revisitados, a um simples acorde. 


1629



 A GRANDE VIDRAÇA

Estou de frente à uma vidraça enorme.  Minha curiosidade me faz querer saber, o que ela guarda do outro lado, mas o vidro só reflete o que há desse, mantendo o seu interior em segredo.  Só posso ver o que me rodeia.

Incontida no meu insatisfeito desejo de conhecer o que ela me oculta, encosto meu nariz na superfície lisa e fria, coloco minhas mãos em concha sobre meus olhos ... e como num passe de mágica, ou como, se ela aguardasse um movimento decisivo meu para desvendar-se ... consigo ver o que há por detrás da superfície, revelada espelhante, até então.  Vejo inúmeros degraus, pequenos, perfeitos, que podem me levar acima, em curvas, que se esgueiram à visão e se escondem, umas nas outras, provocando mais curiosidade. 

Subo um a um, com determinação e coragem, porque é preciso um certo esforço, para permanecer na escalada.  Sigo sem muito tempo de apreciar o que está ao lado, pois não posso me deter em cada degrau, tempo além do que necessito para pisá-lo.

Em certos intervalos existem platôs, onde é possível amenizar o ritmo da subida, e é justo nesses instantes, que aproveito para olhar para trás e visualizar todo o cenário, inclusive o trecho de antes da grande vidraça – para minha surpresa, ela não existe mais!

O trajeto à frente, ainda é de certa forma oculto, com trechos sinuosos e desconhecidos; bem diferente do caminho já percorrido, que se torna totalmente visível.

A vidraça é a divisa que nos mantém no presente, e é preciso uma maior acuidade visual para enxergarmos através dela.  Uma vez atravessada, descortinada por nós, ela se desfaz e seguimos ao encontro do futuro.  Nos instantes de pausa, é possível, constatarmos o passado trilhado por nós, como quem aprecia o feito de uma escalada perigosa, mas ao mesmo tempo, sente o prazer de uma conquista: superando o medo, a inércia e o incerto.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

 1628




EIS A QUESTÃO

Quem precisa ver para crer, é provável - nunca verá!  É preciso crer para poder ver, e não o inverso.  Têm coisas grandes, que nos escapam à visão limitada.  Têm coisas sutis, que a nossa vontade pode não ter a coragem de enxergar.


 

1627



TEMPO E ESPAÇO  ______________________________________

Minha mão direita repousa sobre teu peito, é como a seguras, junto à tua.  Face roçando face.  Sinto uma leve pressão nas minhas costas, é assim que me trazes para junto de ti.  A emoção faz minha outra mão suar, pousada sobre teu ombro e aos poucos, desliza relaxada pelo teu braço – conservando-nos unidos.

A música toca fora e dentro de nós, nossos passos no compasso, nas batidas e pausas, acertados pulsos e ritmo.  Voltamos e avançamos no tempo e no espaço, podemos estar nos três, simultaneamente.

Em algum momento, tu espalmas minha mão, bem em cima do teu coração, para mostrar que ele dança contente, como dançam nossos pés.