segunda-feira, 26 de julho de 2021

1384

POR MINHA VEZ




Tem palavras que me encantam, pela clareza e pelo seu poder de síntese.  Quando eu as ouço ou leio, e vejo que expressam um pensamento ou ideia tão acertados ... embora tenham sido faladas por outra boca e escritas por outras mãos ... é como ler uma página de mim, que até então, ou passara despercebida ou estivera incompleta.  

Algumas são tão simples, que me emocionam, por conseguirem sintetizar a mais pura observação, e através da singeleza, mantém seu profundo significado, coisa que só pode ser façanha de um espírito sensível.  Outras, são tão contundentes e libertadoras, que por minha vez, deduzo: só podem ser substrato de uma mente perspicaz e corajosa, para a qual, a transparência é sempre muito mais importante, do que qualquer julgamento a que possam estar submetidas. 

Pouco importa, se são palavras simples ou mais elaboradas, o que conta é a mensagem que elas transmitem, carregadas de veracidade, pois elas vêm ao encontro do que sinto, em sentimentos e sensações, mas que o meu pensamento não soubera verbalizar, assim de uma forma tão fiel.

Eu penso, nessas situações: "como não me ocorreu isso antes?"  Uma certa inveja toma conta do meu ego, de não ter conseguido extrair essa conclusão de minhas próprias observações.  Mas depois, eu penso também, que cada um tem suas percepções da verdade - que cada um contribui com o que pode, com sua nuance particular, segundo sua vivência e seu olhar, a respeito da 'verdade' que vê.  E assim, somando-se todas as nuances, quase se chega à verdade maior.



domingo, 25 de julho de 2021

 1383

A BOCA GRANDE




Era coisa minha, só minha, eu lidei com isso, à minha moda.  "Ninguém mandou sentir!  Se sentiu? Então, dê um jeito de des_sentir!"

Foi o que fiz: como não pude des_sentir, tive que arranjar uma forma, de continuar sentindo, sem deixar que eu 'fosse sentido' pelo sentimento.  Desde que a razão reconheça essa necessidade, trocando em miúdos, é mais ou menos assim: é exercício da prática constante, em manter a perfeita consciência do sentimento, sem que ele tenha a chance de machucar, com a promessa de realização de algo, sabidamente ilusório.  Devo confessar, que nem sempre, eu consigo resistir à boca grande, que se escancara à minha frente, tem vezes, em que ela me engole, mas não sem antes mastigar-me com muito apetite.


arte __ agnes cecile


sábado, 24 de julho de 2021

 1382

CAMINHO E HORIZONTE



Teus olhos são duas pedras lançadas, ao fundo da correnteza da minha vida, remexendo-o.  São duas setas perfurantes ... que tal qual o olho do observador, capaz de interferir no objeto ... modificaram a minha realidade, completamente.  É assim, que tua presença me assusta.

Sem teus olhos, não existe luz, nem contemplação do infinito, não há ventos, nem questionamentos sobre o sentido das coisas.  Sem teus olhos, não posso descortinar novos motivos ou avistar outros propósitos.  É assim, que a tua ausência me dói ... pois ela provoca um vazio, uma cavidade, que não se preenche com mais nada, além da tua presença.

Embora, a tua presença me assuste; é a tua ausência, que me causa um efeito muito maior ...  o medo de voltar à mesmice das águas e das imagens; o temor de me deter no mesmo caminho, que me condena a permanecer sob o mesmo horizonte.


arte | choi mi kyung


sexta-feira, 23 de julho de 2021

 1381

ERA UMA VEZ ...



Primeiro foi semente, que rasgou a terra e explodiu em tenra plantinha.  Tímida, foi subindo em direção ao céu, mas à medida que crescia, se fortalecia em matéria e espírito. Passou a ser vigorosa e resistente, a envergar-se diante dos ventos e a resistir ao sol inclemente.  Transformou-se em árvore frondosa, e hoje dá frutos e sombra, a quem dela se achegar.

É ideia de Deus, que no início, fez-se lagarta rastejante, mas que transmutou-se, por esforço próprio, numa linda e cintilante borboleta.  



 1380

UNA SUMA




Puedo ofrecerte amor fraterno o darte mi amor maternal, cuando pregunto cómo estás o cuando me interesa tu bienestar, pero no puedo darte mi amor como mujer. Quizás no tengamos tiempo, quizás no haya lugar para él, por todas las razones.  En verdad, no sé cómo separarlos, porque cuando uno, en particular, se manifiesta, los otros tipos también están presentes y hablan, en el deseo de ser reconocidos.


quarta-feira, 21 de julho de 2021

1379

IMPERIOSO E EVIDENTE



Eu não sinto o tempo passar.  E não o vejo, com suas pernas curtas, percorrendo obstinado, os segundos e os anos.  Eu pressinto a sua passagem, nas articulações doloridas; eu constato o seu avanço, nas fotos atuais, comparadas às antigas; e muito mais, no reflexo escancarado, que o  espelho me devolve.  Ele nos afasta das tristezas, mas igualmente, nos afasta dos que amamos.

Os nossos passos, um pouco mais lentos; os contornos mais murchos; o olhar menos cintilante - atestam a sua existência, um fato imperioso e evidente.  Uma vontade mais fraca ou mais forte, em relação a outra época e intenção.  Mais ou menos coragem, de mudar algo que incomoda.  Maior importância ou menor, dada às coisas; inversão nas prioridades, que nos consumiam.  Eu me convenço de sua passagem, na dor que ainda dói, mas que não me causa o sofrimento de antes.  Porque afinal, envelhecer deve render algo de bom, uma conquista ou prêmio, no entendimento, no aprendizado - a própria experiência.  O tempo tem como virtude, passar despercebido, mas não nos poupa de seus efeitos.

Posso até dizer, que alguém não mudou nada; mas estarei mentindo, porque mudou sim, pode até, ter mudado quase nada, na aparência física; mas no íntimo(?) - é certo, que já é outra pessoa. Talvez eu escolha dizer isso, para que não me digam, que estou tão passada, como o tempo que passou por mim e eu nem vi.  




sábado, 17 de julho de 2021

 1378

CERTEZA SOBRE CERTEZA (*)



Quando explodiu a emoção, o céu escuro e quieto foi riscado pelo fogo de artifício.  

A paixão foi onda de calor, assolando o continente de clima temperado, avançando rumo ao interior, incinerando tudo o que encontrava.  Fora possível ver (como quando de olhos fixados, podemos ver), que as coisas presas ao chão, debaixo das altas temperaturas, pareciam ferver.  Como se de fato queimassem (e queimaram,de certa forma), gemiam e tremulavam, numa tentativa desesperada e frustrada, em pedir clemência.  

Uma onda feroz e inesperada, irrompeu sobre a faixa de areia lisa, onde eu cochilava, preguiçosamente, arrancando-me do marasmo em que me encontrava.

Os céus, se encheram de fumaça.  O continente, assumiu uma cor amarelada e não restou 'certeza sobre certeza', para que se pudesse reconhecer o terreno.  A praia, se encheu de destroços, o que não foi levado pela onda, foi deixado aos pedaços. 

A fumaça dissipou-se, afinal;  a temperatura baixou e o clima voltou a ser habitual; a praia foi limpa.  Sob o céu quieto e límpido ... o continente que sou 'eu', apreciando o vai e vem das águas ... assistiu a emoção virar sentimento.


(*) esta é uma alusão que faço, à conhecida expressão 'pedra sobre pedra'



quinta-feira, 15 de julho de 2021

 1377

DOCE E MELANCÓLICA




Trago, muito vivo na memória, a lembrança de fatos vívidos, absolutamente não vividos por minha personalidade atual.  São fotos amareladas, que saltam das páginas de um livro ou de pequenas gavetas secretas, causando-me uma profunda comoção, acordando sensações familiares e exalando uma doce e ao mesmo tempo, melancólica saudade.   Evocam emoções esquecidas, das quais estivera desmemoriada, até então. Recordam-me, do que é estar 'de volta ao lar'.  Fazem parecer que seja lacônico, um pedaço do meu passado, com alguma falha de continuidade. Fico apenas na certeza, de que se as rememoro - é porque as preservo, num esconderijo, por mais íntimo e remoto que seja; pois só é possível reviver, aquilo que já foi vivido.  Resta-me uma arrebatadora vontade de voltar para lá.


arte | vitor campanella __ 'melancolia' __ figura surreal

terça-feira, 13 de julho de 2021

 1376

EN CIERTO MOMENTO




Yo soy responsable de cada lágrima y dolor, que le causo al otro. Si me doy cuenta de esto en algún momento, querré reparar mi desliz. Si no noto el error, es casi seguro que experimentaré una condición similar y derramaré una lágrima, idéntica en consistencia, a la que hice brotar.  Seré visitado por una privación, una pérdida, una injusticia o enfermedad.  

Así aprendemos, sintiendo en nuestra piel y en nuestra alma, lo que nos hacemos un al otro. No es una cuestión de castigo, sino de aprender, que todos tenemos las mismas terminaciones nerviosas y la misma sensibilidad en el alma.  Por eso, soy responsable de mi propia felicidad, mas que directamente.




sábado, 10 de julho de 2021

1375 

DOCE AZUL






De vez em sempre, gosto de 'viajar', na imaginação, é claro, não me custa nada, nem preciso de bagagem.

Se apurar minha audição, posso ouvir o som da cor azul, nas ondas que se espalham pela areia.  Do marulhar das águas agitadas ou na quietude delas, capto cantos e vozes indistintas, que me chegam, antes ao coração, do que aos ouvidos.  Da correnteza doce, sou capaz de escutar as serpentes azuis, esgueirando-se furtivas sobre o solo, cortando-o em profundas fendas.  É do som dos céus que se move, batendo todos os seus tipos de asas; do avião que rasga o grande pano, cheio de entremeios brancos; que eu concluo: 'as cores estão vivas', não na intensidade dos tons, mas no sentido de terem vida - é no meio delas que os seres transitam.  

O azul, como todas as outras cores, é capaz de conter em si, um multiverso de reinos da criação, que talvez nos escapem à percepção.

E por estar assim, tão embrenhada na cor azul, e ela, estar tão dentro de mim, arrisco-me a dizer: que além de auferir seu som, sinto também seu aroma, perfume ou como quiserem chamar seu cheiro.  Relaciono minhas impressões, com as manhãs claras: então, tenho grandes montanhas azuis, sendo iluminadas pelo sol, ao fundo de uma planície.  Do azul longínquo exalam odores de floresta, essências de flores e folhas, curativas, balsamizantes, enfeitadeiras e que se alastram pela atmosfera.  Correspondendo aos sons que o mar emite, estão também a brisa marinha roçando a minha pele e suas partículas voláteis atingindo em cheio o meu faro.  É impossível, que eu não me lembre das balinhas de aniz da minha infância, azuis, minhas preferidas ...  Por associação de ideias ... é automático, que essa lembrança me puxe de volta àquele tempo ... e uma miniatura de mim relembra o sabor desse doce azul.



sexta-feira, 9 de julho de 2021

1374 

O RETRATO




Fora pintado numa época, onde a fotografia ainda não existia.  Só os nobres possuíam condições de encomendarem uma obra dessa magnitude, que lhes prometia imortalidade, na memória de todos e em relação ao tempo.

Havia aqueles, que não se importavam com os altos custos: de deslocar um retratista famoso, até sua pomposa residência, quantas vezes fossem necessárias, para que o retrato fosse concluído.  E exigiam-no com requintes de detalhes e ostentação de riqueza, para obterem destaque na sociedade ou pela simples vaidade de poder mirarem-se, num reflexo falso - porém agradável ao ego.  As imperfeições dos modelos eram sempre atenuadas, de acordo com o padrão de beleza vigente na época, é claro, para obter maior esplendor.  Eram raros, os que correspondiam à real figura da pessoa a ser retratada, poderia-se até dizer, que os mais fiéis eram aqueles cujos modelos não tinham imperfeições físicas a serem disfarçadas ou ignoradas.  Mais raro ainda, eram aqueles, em que as imperfeições morais, podiam ser notadas: através de um olhar tenebroso ou um sorriso enigmático (e isso era permitido), mas tal façanha estava condicionada à perspicácia e competência do artista ... e por que não dizer, um certo grau de atrevimento?

Havia também, pessoas desejosas de imortalizarem suas imagens, com recursos suficientes para se darem esse luxo, mas com sovinice dentro de suas mãos e coração.  Espantosamente, essas obras, correspondiam aos retratos feitos, onde não se mostravam as mãos, estavam sempre ocultas, debaixo de uma capa, dissimuladas por um adorno requintado, por um ocasional leque ou simples lenço.

Além do fato, de saber-se, que pintar mãos era muito mais trabalhoso e demandava mais tempo de exposição, portanto muito mais oneroso ... supõe-se, que muito provavelmente, caso as mãos sovinas tivessem sido retratadas, sairiam fechadas e feias, destoando do restante da tela.  No fundo, seus donos temiam mostrá-las ... duvidosos da capacidade do pintor, em esconder a deformidade e que expusessem a verdadeira aparência que elas têm ... e mais que isso, não desejavam revelar seu ponto mais vulnerável..



quinta-feira, 8 de julho de 2021

 1373

"O FUTURO, A DEUS PERTENCE"




Cabe a Ele, dar-nos ou não ... e é certo que, sem sua ajuda, vivê-lo não nos seria possível  ... porque Aquele que nos cria, não dorme.  Mas uma vez, de posse dele, cabe a nós e é de nossa inteira responsabilidade, como vamos desenvolvê-lo e vivenciá-lo.  É preciso somar os dois tipos de fé - em Deus e em nós.  

O futuro não está pronto e não se faz sozinho - construí-lo - isso é coisa, que só nós podemos fazer. O acaso não existe, todos os instantes da nossa vida, são importantes, até aqueles que possam nos parecer menos significativos; porque um instante sequer de desatenção, é o suficiente para mudar tudo a nossa volta, a rota e o destino.  É a aplicação de uma espécie de meritocracia divina, instituída muito antes, de receber um nome/definição e de ser reinventada pelo homem.

Neste momento, falando sobre este assunto, a imagem que me vem à mente ... é a de um desenho, em branco e preto, onde um homem, um tanto caricato, curva-se em relação ao chão.  Ao exemplo de um semeador, afofando a terra para receber as sementes, embora se mantenha na mesma posição; este homem, traz na verdade, em suas mãos, um pedaço de grafite bem grosso, que usa para riscar o chão, que seus pés deverão pisar.  Ele projeta e executa antecipadamente, uma plataforma concreta, destinada aos seus futuros passos, no sentido e direção, a ser trilhado e que possa levá-lo ao propósito que deseja atingir.







terça-feira, 6 de julho de 2021

    1372

QUASE TUDO OU QUASE NADA





Eu sou o bater de asas apressadas, fugindo da tormenta.  Contenho a nota musical que rasga as partículas do ar, em busca de ouvidos; o aroma das iguarias mais simples.

Sou a pedra angular das pequenas e das grandes obras, como as mãos que as executam; o abraço que se faz refúgio; os pés que desenham o caminho. Sou os risos que escapam dos quintais e transbordam alegria. Formo o orvalho que umedece as manhãs.

Abarco o grão de areia, que viaja meio mundo, para fertilizar a floresta longínqua e ao mesmo tempo, sou, os rios aéreos, que devolvem a fertilidade aos campos.  Me traduzo em semente que se sacrifica pela vida, mas sou também, a terra que a transforma num lindo carvalho.  Posso dizer, que consisto na erva que dá origem ao unguento, e em más mãos, ao veneno. Sou todas as águas que unem os continentes e as margens opostas.  

Integro a gratidão que preenche o ser; os lábios que curam os machucados; o coração que ama em silêncio ou em alarde.  Personifico a entrega, a quietude dos ventos e a fúria dos mares.

Sou quase tudo ou quase nada, dentro da imensidão da natureza; simbolizo apenas um átimo da infinita grandeza em recursos, para nutrir e encantar, colocada ao dispor da humanidade ... permitindo que esta, seja uma parte relevante na criação ...  desde que traduza as dádivas em presentes, sem desperdiçar um único dom, e assim, fazendo-se ascender, continuamente, na espiral da evolução.






domingo, 4 de julho de 2021

1371

BEM ESTAR - O 'NOSSO' E O 'ALHEIO'



Viver é descer ao palco, sem 'script' e sem ensaio.  É um improviso constante, sem roteiro, com palco comum e plateia desconhecida. Temos que fazer o melhor, com aquilo que recebemos, que não é exatamente, o que queríamos. Só o tempo, nos mostra quais são as melhores 'falas', e o ensaio(?) ... é ao vivo, mesmo!  As nossas escolhas vão determinando o roteiro, o palco e a plateia vão sendo reconhecidos, aos poucos.  

A estória é uma continuidade, de tantas atuações ou representações anteriores, é assim que nos qualificamos, para o espetáculo a que estamos fadados a protagonizar.  Acrescentamos novas cenas à trama, tentando ser mais transparentes e fiéis ao nosso propósito.  

Quem nos determina a linha de conduta mais adequada, são a plateia e sobretudo a nossa inteligência, pelo retorno que nos dão: a julgar pelas reações que os nossos atos desencadeiam - os resultados aos quais chegamos, em relação ao nosso bem estar e em correlação aos coadjuvantes.  Por erro e acerto, vamos experimentando e construindo a trama, a ser vivenciada por nós. A recompensa pelo nosso bom desempenho, se encontra na área que corresponde à interseção, desses dois conteúdos de bem estar - o nosso e o alheio.



sábado, 3 de julho de 2021

1370

OS OLHOS NÃO PRECISAM VER




Meu olhar ficou naquela vitrine. Meu sentimento eternizou-se, na lembrança daquele momento inesquecível, marcante e que não se repetiu.  


Não é preciso comprar, só apreciar as coisas bonitas, as novidades - gosto de estar por dentro do que se usa e do que ficou ultrapassado.  De apreciar as coisas, eu as imagino, na minha casa, o que eu faria com elas, como eu as usaria ou se estariam mais para o gosto de alguém que conheço.  De tudo o que vejo no presente, é inevitável que o estímulo, me remeta à uma  lembrança e faça regurgitar toda a emoção vivida outrora, que vem se juntar à emoção atual.  Ás vezes, de um passado não muito distante ... noutras, bem afastado, desenterra recordações semelhantes.  É assim que reconhecemos sentimentos e como tudo o mais que nos acontece na vida - com o arsenal guardado na memória.  Nenhum fato é inusitado, sempre há correlação com algo já sentido, talvez até esquecido, mas que sobe à tona e nos impacta de uma forma surpreendente, na impressão agradável ou não.  Mesmo que a nossa consciência não dê conta disso, a memória celular é efetiva, em ressuscitar sensações, emoções e sentimentos.  Todos os sentidos captam impressões e acordam as reminiscências.

Dizem que "o que olhos não veem, o coração não sente!"  ... mas aqui nesse caso ... os olhos não precisam ver, para que o coração sinta, profundamente. 



quinta-feira, 1 de julho de 2021

1369

SOB A LUZ 




Entre o reflexo e a sombra, fica a imagem.  A água, o chão, o ar, o sol e a lua são meus meios de manifestação, de existir, de me configurarem, em  silhueta e conduta, neste planeta.  De como me vejo e como me veem, de como não me vejo e não me veem ... ou talvez, até me vejam, naquela face mais sombria, que me recuso, a reconhecer como minha.  Há algo, de que não foge aos sentidos apurados - a energia.  Entre todas essas exteriorizações está a verdadeira figura, habitada pela verdadeira essência, que se transforma, pouco a pouco e que arrasta consigo a forma.  Entre refletir-se em superfície límpida e projetar-se em borrões, com o auxílio da luz, vai-se corporificando em uma outra imagem, um tanto menos imperfeita, na aparência e no recheio.