sexta-feira, 29 de junho de 2018


PODRÍAS!  __ 719



arte: mark spain



Podrías tenerme tocado el alma, 
escogiste arañarme el corazón!

Habrías vivido allá para siempre, 
preferiste exigirme la posesión!

No lo venderé, porque es mío, 
sólo permití que allá vivieras! 
No quedar, fue escoja tuya!




 PSI __ 94 __ MINHAS CONSIDERAÇÕES


Filhos de pais emocionalmente imaturos: infâncias perdidas








Ser filho de pais emocionalmente imaturos deixa marcas profundas. Tanto que são muitas as crianças que acabam assumindo responsabilidades de adultos e que crescem antes da hora, forçados por essa incompetência paterna, por esse vínculo frágil, descuidado e negligente que apaga infâncias e arrasa a autoestima.
Ninguém pode escolher seus pais, sabemos disso, e mesmo que sempre chegue a hora em que como adultos temos pleno direito de optar pelo tipo de tratamento, que queremos estabelecer com eles - uma criança não consegue fazer isso. Porque nascer é quase como cair por uma chaminé. Há quem tenha a sorte de ser pego por progenitores maravilhosos, habilidosos e competentes que lhe permitirão crescer de forma segura, madura e digna.

“Não há maior necessidade na infância do que sentir a proteção dos pais.”

-Sigmund Freud-



Por outro lado, há quem tenha o azar de aterrissar nos braços de pais imaturos que determinarão de forma implacável as bases da sua personalidade. No entanto, os especialistas em psicologia infantil e dinâmica familiar sabem que, nestes casos podem acontecer duas coisas muito interessantes, e ao mesmo tempo determinantes.
Os pais com uma personalidade claramente imatura e incompetente podem favorecer a criação de crianças tiranas, assim como imaturas. Contudo, também podem propiciar que as próprias crianças assumam o papel do adulto que os pais se negaram a exercer. É assim que alguns pequenos acabam se responsabilizando por seus irmãos menores, se encarregando das tarefas do lar ou assumindo decisões que não correspondem à idade.
Este último fato, por mais curioso que possa parecer, não fará com que essa criança seja mais corajosa, mais madura nem mais responsável de uma forma que possamos entender como saudável. O que acontece principalmente é criar pessoas que perderam a sua infância. Convidamos você a refletir sobre isso.

Pais emocionalmente imaturos, infâncias truncadas

Uma coisa que todos concordamos é que ter filhos não nos transforma em verdadeiros pais. A maternidade, como a paternidade mais sadia e significativa, é demonstrada estando presente, dando um afeto verdadeiro, enriquecedor e forte para que essa criança seja parte da vida, e não um coração partido e vinculado somente ao medo, às carências e à baixa autoestima.
Uma coisa de que toda criança precisa, muito além do simples alimento e da roupa, é a acessibilidade emocional, madura e segura onde se sentir conectada a certas pessoas para entender o mundo e, por sua vez, entender a si mesma. Se isso falha, tudo desmorona. As emoções da criança ficam invalidadas pelo pai emocionalmente imaturo ou pela mãe que, preocupada somente consigo mesma, descuida dos sentimentos e das necessidades emocionais dos filhos.
Por outro lado, cabe dizer que este tipo de dinâmica é mais complexa do que parece à primeira vista. Tanto que é importante diferenciar 4 tipos de mães e pais emocionalmente imaturos.

A imaturidade dos pais

A primeira tipologia faz referência ao tipo de pais e mães com comportamento errante e desigual. São pais muito instáveis emocionalmente, dos que hoje fazem promessas e amanhã não as cumprem. Pais que hoje estão muito presentes e amanhã fazem os filhos sentirem que são um estorvo.
  • Os pais impulsivos, por sua vez, são aqueles que agem sem pensar, que realizam planos sem avaliar as consequências, que vão de erro em erro e de imprudência em imprudência sem pesar suas atitudes.
  • maternidade e a paternidade passiva constituem, sem dúvida, um dos exemplos mais claros de imaturidade. São os que não se envolvem, os que estão presentes mas ausentes, e os que baseiam sua criação no “deixa acontecer”.
  • Por fim, também é comum a figura de pais desdenhosos, aqueles que fazem seus filhos sentirem que são um estorvo ou indesejados, os que acham que a educação é não é para eles e é algo de que não querem participar.
Estes quatro perfis esculpem a batidas de decepção uma infância truncada, ferida e invalidada. Toda criança que crescer neste contexto vivenciará claros sentimentos de abandono, solidão, frustração e ira.

Crianças que assumem o papel de adultos

Apontamos isso no início: a criança que cresceu assumindo o papel do adulto nem sempre se sente mais forte, mais madura, e muito menos mais feliz. Deixar sobre os ombros de um pequeno de 8, 10 ou mesmo 15 anos a responsabilidade exclusiva de cuidar de si mesmo, de um irmão menor ou de tomar decisões que seus pais deveriam tomar, deixa marcas e potencialmente constitui a raiz de muitas carências.

“Uma rosa obtém sua fragrância das suas raízes, e a vida de um adulto obtém sua fortaleza da sua infância.”

-Austin O´Mally-




As consequências psicológicas que costumam prevalecer nestes casos são tão variadas quanto complexas: solidão emocional, autoexigência, incapacidade de estabelecer relacionamentos sólidos, sentimentos de culpa, contenção emocional, repressão da ira, ansiedade, pensamentos irracionais…

Superar estas feridas por causa de uma infância perdida e de pais imaturos não é tarefa fácil, mas não é impossível. A terapia cognitivo-comportamental é muito útil, assim como a aceitação da existência dessa ferida causada pelo abandono ou a negligência. Mais tarde virá a necessária reconciliação com nós mesmos, onde nos permitimos sentir raiva e frustração por uma infância roubada e onde nos obrigaram a crescer muito depressa e nos deixaram sozinhos muito cedo.
Perdemos a infância, mas a vida se abre diante de nós maravilhosa, livre, e sempre convidativa para nos permitirmos ser aquilo que sempre quisemos e que, sem dúvida, merecemos. Devemos conseguir que a imaturidade emocional de nossos pais não nos impeça de construir a felicidade presente e futura que não conseguimos ter no passado.


https://amenteemaravilhosa.com.br/pais-emocionalmente-imaturos-infancias-perdidas/



94 __ MINHAS CONSIDERAÇÕES

Uma ferida física se cura mais rápido e muito mais fácil, do que uma ferida emocional.  Causada por abandono ou negligência, sendo ele proposital ou inconsciente, de fato ou apenas numa 'ausência presente' - as feridas emocionais, geram sentimentos controversos nas crianças, que ficam sem amparo, porque lhes falta alicerce firme para  sustentar seu crescimento. 

Estabelece-se um vínculo frágil, entre os pais e a criança, que nunca saberá quando contar com eles, ou não.

São muitos os estragos na formação de crianças forçadas a viverem nesse ambiente imaturo e que não lhes acolhe como deveria, não lhes fornece alimento emocional para crescerem.

Sabemos que o cérebro infantil, continua a se desenvolver muito depois do nascimento, é nesse período, da infância tenra, que se  estabelecem os aprendizados determinantes do comportamento e personalidade futuros.

A criança não sabe como ver os fatos, sentir o mundo - são os pais que lhe mostram como. No futuro, quando ela adulta, 'pensar com suas pernas', poderá optar pelo tipo de tratamento que deseja ter com relação aos pais - mas a criança é incapaz de fazê-lo ... ela é fruto do meio em que vive.

Toda criança necessita de:
- atenção (saber ouvir a criança)  
- apreciação (quanto às suas qualidades) 
- afeição (cuidados necessários) 
- aceitação (sem julgamento ou crítica).


Quando o que recebeu não foi suficiente, quando houve negligência, descuido, ausência, por qualquer razão, é quase certo que tenha um coração partido, solidão, carências, medos, frustração, ira, inseguranças que carregará  para a vida adulta, não conseguindo gerenciar suas emoções, não mantendo relacionamentos.  Sua autoestima ficará marcada para sempre.

O não gerenciamento de suas emoções, causa uma dificuldade em conte-las: na repressão  da ira, ansiedade, pensamentos irracionais, com consequentes sentimentos de culpa, frustração,  pela solidão emocional de não conseguirem manter relacionamentos  sólidos.

Uma acessibilidade emocional, madura e segura, é tão importante para seu desenvolvimento, quanto alimento, roupa e abrigo.

As consequências psicológicas são imprevisíveis, porque nunca sabemos quais as necessidades que a criança já traz consigo.  

O assunto é repetitivo, eu sei, mas se quisermos  viver num mundo melhor, é importantíssimo e urgente, que tenhamos mais cuidado com a educação de nossas crianças, do berço à escola.

Por isso, quando uma criança apresentar um problema, estejamos certos de que ela não é o 'problema' - ela é apenas o indício de uma situação, que deve ser analisada e corrigida - ela traz o começo da solução.



quinta-feira, 28 de junho de 2018


UM OLHAR SOBRE O COMPORTAMENTO HUMANO
54 - PRIMEIRO E SEGUNDO 




O respeito, fica no topo da lista. Tem a ver com o que permitimos que façam a nós, mas sobretudo depende muito mais, da educação não recebida no berço de quem desrespeita.  Respeito, depois o amor, de que tanto se fala.

Mas o que é o respeito, senão um tipo de amor: ao outro, antes à minha própria pessoa - considerando que estamos todos galgando os mesmos degraus na evolução e enfrentando os mesmos embaraços, que nos atrasam a subida.

Respeitar o outro acaba por ser, respeitar-se a si mesmo, entender que o buraco que surpreende o outro, é, foi ou será o mesmo que pode quebrar sua perna, sem que você queira admitir essa verdade.  Quando você julga, sentencia e executa a pena ao outro, que já está no buraco, ferido - você além de aumentar o buraco em que ele está - empurrando-o para mais fundo, você estende os maus tratos a sua pessoa.

Mais importante que amar alguém, é ter por ele respeito, porque sentimento é antes de mais nada comportamento.  Se você ama, o respeito é um pedaço dele.

O respeito pode existir sem que haja amor.  O amor nunca sobreviverá sem respeito.  É daí que veio a minha conclusão: respeito em primeiro, amor em segundo.


quarta-feira, 27 de junho de 2018

 PSI __ 93 __ MINHAS CONSIDERAÇÕES


Como as distorções cognitivas nos afetam?





Hoje vamos conhecer alguns mecanismos presentes em todas as pessoas, que possuem um papel muito importante, mas que frequentemente passam despercebidos. Poderíamos dizer que são como autores de crimes perfeitos. No entanto, antes de definir o que são as distorções cognitivas, vou apresentar um fragmento do relato de uma paciente que procurou uma consulta psicológica:

“Todas as vezes que fico deprimida me sinto como se tivesse sido atingida por um choque cósmico e começo a ver as coisas de forma diferente. A mudança pode acontecer em menos de uma hora. Meus pensamentos se tornam negativos e pessimistas. Quando examino meu passado, eu me convenço de que nada do que fiz tem valor.
Todos os momentos felizes parecem uma ilusão. Minhas conquistas parecem tão verdadeiras quanto o cenário de um filme de faroeste. Eu chego a me convencer de que a minha verdadeira personalidade não tem valor nem sentido. Não consigo progredir no meu trabalho porque a dúvida me deixa paralisada. Não consigo ficar quieta porque o sofrimento é insuportável”.

Estamos diante de um caso de uma paciente afetada por sintomas depressivos, apesar de também ter relatado sintomas de ansiedade, mas isso é o de menos. O importante é que esses sintomas são fruto de uma situação, de um acontecimento ou de alguma coisa que aconteceu com ela. Ou não.
Costumamos dizer que nos sentimos de determinada maneira porque nos aconteceu alguma “coisa”, como se necessariamente um ponto nos levasse a outro e nós não tivéssemos nada a dizer sobre isso. No entanto, costumamos ignorar os pensamentos que temos ou, o que na verdade são a mesma coisa, aquelas mensagens internas que dizemos a nós mesmos após a percepção de um fato.
O papel dos pensamentos ou do nosso diálogo interno é fundamental para compreender como chegamos ao estado emocional em que nos encontramos em determinado momento. Assim, nossos pensamentos vão influenciar a forma como nos sentimos na mesma quantidade ou mais que o próprio fato em si. Fazendo uma analogia culinária, a composição de determinado alimento influencia o sabor da comida, mas também faz diferença, e muita, a forma como mastigamos.

“A maneira de ‘mastigar os fatos’ é o que em última instância determina o aparecimento de sentimentos como tristeza, raiva, ira, felicidade ou medo”


Nossos pensamentos dão lugar a nossas emoções

Os pensamentos negativos que invadem a nossa mente são a verdadeira causa das nossas emoções. O oposto também é verdadeiro, já que os pensamentos são o ponto de partida a se considerar quando queremos realizar um bom controle emocional.
Proponho um exercício. Sempre que você se sentir deprimido em relação a alguma coisa, tente identificar qual pensamento tinha naquele exato momento. Como os pensamentos criam os estados emocionais, vamos conseguir modificá-los se mudarmos tais pensamentos.
Provavelmente alguém será cético em relação a tudo isso. A razão é que seu modo de pensar negativo se incorporou tanto na sua vida que se transformou em algo automático. Muitos pensamentos passam pela mente de forma automática e fugaz, sem que estejamos conscientes disso. São tão evidentes e naturais quanto a forma como seguramos um garfo.
É um fato neurológico evidente que, antes de poder experimentar qualquer acontecimento, devemos processá-lo em nossa mente e dar um significado, seja de forma consciente ou inconsciente. Os pensamentos, em geral, se alimentam de diálogos que mantemos conosco. Assim, essa frase que tem séculos de história faz sentido:

“As pessoas ficam perturbadas não com os acontecimentos, mas com suas opiniões (pensamentos) sobre os acontecimentos.”

-Epiteto Século I A.C.-

Diferenças entre pensamento racional e irracional

O racional significa aquilo que é verdadeiro, lógico, pragmático e baseado na realidade(pelo menos neste artigo vamos assumir este significado). Portanto, é um facilitador para que as pessoas conquistem suas metas e seus propósitos (Ellis, 1979a).
Por outro lado, o irracional é aquilo que é falso, ilógico, que não está baseado na realidade e que dificulta ou impede que as pessoas conquistem suas metas e seus propósitos mais básicos (pelo menos vamos assumir esse significado neste artigo). O irracional é aquilo que interfere na nossa sobrevivência e na nossa felicidade (Ellis, 1976).
Albert Ellis, psicólogo precursor da terapia cognitiva, identificou uma série de ideias irracionais básicas que eram presentes na maioria das pessoas. Vejamos alguns exemplos de ideias irracionais:
  • É uma necessidade extrema para o ser humano adulto ser amado e aprovado por praticamente cada pessoa significativa da sua comunidade.
  • É terrível e catastrófico o fato de as coisas não seguirem o caminho que desejamos que seguissem.
  • A desgraça se origina de causas externas. As pessoas têm pouca ou nenhuma capacidade de controlar seus sofrimentos e suas perturbações.
  • Algumas pessoas são vis, malvadas e abomináveis. Devem ser seriamente culpabilizadas e castigadas pela sua maldade.
Existem mais ideias irracionais, mas não vamos colocá-las aqui porque vamos nos focar nas distorções cognitivas.

O que são as distorções cognitivas?

Somos bombardeados por pensamentos irracionais na nossa cultura. Quando ouvimos música, assistimos filmes, novelas, lemos romances, encontramos muitos pensamentos irracionais que podemos incorporar, se já não tivermos feito isso, como parte das nossas próprias crenças.
Com isso, não quero dizer que devemos parar de assistir televisão ou de ouvir música ou que devemos nos afastar da sociedade. Mas sim que devemos questionar o que ouvimos ou vemos na televisão e fazer questões antes de agregar essas ideias às nossas crenças e aos nossos valores.

“Há três monstros que nos impedem de avançar: 
tenho que fazer certo, 
você deve me tratar bem, 
e a vida deveria ser fácil.”

-Albert Ellis-

Assim, as distorções cognitivas ou erros de pensamento são pensamentos distorcidos sobre a realidade que nos rodeia. Frequentemente costumam ser automáticas e pode nos custar muito trabalho perceber que as temos. Por isso, a ajuda de um psicólogo especializado pode ser muito útil. O passo seguinte, uma vez que já as identificamos, seria trocar essas distorções por pensamentos mais “realistas” ou adaptativos.
As distorções cognitivas, grosso modo, são responsáveis por fazer com que nos sintamos tristes, ansiosos, bravos, etc. À medida que as identificamos e as modificamos, nos sentimos melhor.


Tipos de distorções cognitivas

Pensamento de tudo ou nada

É uma distorção na qual tendemos a enxergar qualquer coisa de maneira extremista, sem meios termos. É o típico pensamento de “tudo ou nada” ou “branco ou preto”. Consideramos que as coisas podem ser apenas boas ou ruins, que as pessoas podem ser perfeitas ou fracassadas. Exemplo: “Ou tenho sucesso em tudo o que faço ou sou um completo inútil”.

Generalização excessiva

Trata-se de tirar conclusões gerais a partir de fatos particulares. Ou seja, se aconteceu algo negativo em uma situação, espera-se que vá acontecer de novo e de novo. Por exemplo, se um jovem recebe um não de uma garota, pode generalizar pensando que todas as mulheres vão recusá-lo no futuro.

Filtro mental

A pessoa escolhe um detalhe negativo de qualquer situação e se fixa exclusivamente nele, enxergando, assim, toda a situação como negativa. Exemplo: a esposa que destaca apenas os pontos negativos do seu marido para as outras pessoas, sem comentar os vários aspectos que de fato são maiores que os negativos, como “responsável”, “trabalhador”, “carinhoso”, entre outros.

Leitura do pensamento

Trata-se de supor as razões ou as intenções das outras pessoas, considerando essa interpretação como a única válida quando na realidade existem várias outras possíveis. Acreditamos adivinhar exatamente o que as outras pessoas estão pensando, tirando conclusões equivocadas na maior parte do tempo. Isso significa que tiramos conclusões precipitadas ao ler o pensamento das outras pessoas. Exemplo: “não está prestando atenção, com certeza não está interessado no que estou falando”. Essa é uma das distorções cognitivas que mais acontecem em um relacionamento.

Personalização

É a tendência de relacionar alguma coisa do ambiente consigo mesmo. Ou seja, pensamos que tudo gira ao nosso redor e, por isso, nos acostumamos a distorcer os fatos. Outro tipo de personalização é quando nos comparamos com as outras pessoas. Por exemplo, se alguém faz um comentário aberto sobre a irresponsabilidade das pessoas, consideramos que esse comentário foi dirigido a nós. A pessoa que é muito sensível à personalização acredita ser alvo de constantes indiretas.

Racionalização emocional

Na raiz dessa distorção está a crença de que o que a pessoa sente teria que ser verdadeiro. Tomamos nossas próprias emoções como prova da verdade por falta de dados objetivos. Exemplo: “Se me sinto como um perdedor, então é porque sou um perdedor”.

Conclusões precipitadas

É uma distorção na qual tiramos determinadas conclusões sem ter todos os dados que precisamos para isso. A conclusão à qual chegamos é, portanto, arbitrária e sem fundamento. Exemplo: “Com certeza minha família não vai gostar dessa comida que estou preparando”.

Magnificação e minimização

A magnificação acontece quando nos fixamos apenas nos nossos erros, medos ou imperfeições e exageramos sua importância: “Meu Deus, eu cometi um erro. Que coisa horrível! Que coisa horrível!” A minimização acontece quando minimizamos nossas qualidades: “Não sou tão inteligente nem tão bom em matemática. Ter tirado 9 na prova não significa nada”.

“A mente que se abre a uma nova ideia nunca vai voltar ao seu tamanho original.”

– Albert Ellis –


Os “deveria”

Nessa distorção, a pessoa se comporta de acordo com regras inflexíveis que deveriam reger a relação de todas as pessoas. As palavras que indicam a presença dessa distorção são ‘deveria’ ou ‘teria’. Com essa regra, o indivíduo não julga apenas as outras pessoas, mas também a si mesmo. Por exemplo: “Os outros deveriam me entender, não tinham que me tratar dessa maneira”, “Eu não deveria me comportar assim”…

Rotular

É uma forma extrema de generalização excessiva. Em lugar de descrever o erro que cometemos, nos colocamos um rótulo negativo: “Sou um perdedor”. Quando o comportamento de alguém não nos parece correto, colocamos outro rótulo negativo: “É um maldito de um mentiroso”.

A forma de lutar contra nossos pensamentos irracionais inclui:
  • Perceber quando nos sentimos mal.
  • Identificar quais pensamentos estão passando pela nossa cabeça no momento.
  • Analisar se correspondem a alguma das distorções cognitivas que conhecemos.
  • Substituí-los por pensamentos mais adaptativos, modificando nossa linguagem e nosso diálogo interior.

De uma forma ou outra, todos nós já fomos alguma vez vítimas de pelo menos uma dessas distorções cognitivas, e continuaremos sendo. Por outro lado, quanto mais nos familiarizarmos com elas e entendermos como agem particularmente em cada pessoa, mais conseguiremos controlar seus efeitos e, inclusive, tirar proveito deles.

Bibliografia:

  • David D. Burns (1980), Sentirse bien. Una terapia contra las depresiones, Barcelona: Paidós.
  • Isabel Caro Gabalda (2007), Manual teórico-práctico de Psicoterapias Cognitivas, Bilbao: Descleé de Brouwer.
  • Albert Ellis (1992), Manual de Terapia Racional Emotiva, Bilbao: Descleé de Brouwer.
  • J. Jesús Montes Cortés (2006), Manual para el manejo de pensamientos irracionales, Guadalajara: Universidad.

    ______________________________




Veja esse pensamento:




fonte:



   ______________________________
  

 


93 __ MINHAS CONSIDERAÇÕES


Fatos: são acontecimentos que nos provocam emoções.

percepção: alterada, na hora de entendermos os fatos.

ruminação: ideias repetitivas, sobre a indignação a respeito de uma injustiça que identificamos.

sistema nervoso: quando recordamos um fato desagradável, o sentimos da mesma maneira como se o estivéssemos presenciando no momento.

polarização: radicalismo nas ideias, resistência à mudança.

generalização: porque uma vez não deu certo, não significa que se eu tentar de novo não dará também.

filtro mental: olhar direcionado apenas aos fatos desagradáveis e negativos.

leitura do pensamento: adivinhar os motivos do outro e bater o martelo.

personalização: relacionar tudo a si mesmo, como referência de tudo de bom e o resto não é.  Levar tudo para o pessoal, ser mi mi mi.

racionalização emocional: tomar suas emoções como veredito de seu estado real.

conclusões precipitadas: arbitrárias e sem fundamento.

magnificação ou minimização: exagerar na importância das coisas, com  nossos erros, imperfeições, qualidades.

'deveria' ou 'teria': julgamentos que incluem essas palavras, com relação a si mesmo e aos outros.

rotular: dar rótulos às pessoas, situações, a si mesmo, com palavras depreciativas e polarizadas.