1687
FATA MORGANA
Eu tive uma visão. Eu vi sua imagem, envolta em névoa, deslizando acima de algo, que parecia ser um oceano ou o calor do deserto. Havia luzes que ofuscariam meus olhos abertos e lhe tornaria irreconhecível, não fosse a camada de vapor que protegia todo o seu contorno. Você vinha ao meu encontro.
Desprovido do meu senso de irrealidade, acreditei ver, no que meus olhos quiseram ver. Pensei em delírio ou alucinação, mas estive mesmo, sob o efeito do fata morgana - uma ilusão de ótica, uma espécie de miragem, bem convincente
Era você passando por mim, e não havia nenhuma gota de água salgada ou doce, nem um grão de areia! Inegavelmente, era só você, passando por mim e seguindo em frente. Foi a minha fértil imaginação a me pregar uma de suas peças. Eu deveria preferir que a visão se desfizesse, caísse aos pedaços, como pele morta! Mas ao contrário, ela me fascinou por um longo tempo, de tão linda que era!
Não foi um fenômeno climático e não se deu em alguma região específica. Era um simples desejo meu, que se materializava diante de mim.
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