1689
HÁ UNS BONS ANOS E NÚMEROS
Lembro com exatidão, tinha uns poucos anos, uns 5 ou 6, e andava para lá e para cá, com sapatos e bolsas que não eram meus. Ainda ouço o toque-toque dos saltos dos sapatos no piso liso, e do esforço que eu fazia, para carregar bolsas bem maiores do que eu.
Os sapatos eram enormes, mas lindos! Elegantes, de salto fino, feitos de camurça cinza bicolor, uns bons números a mais do que eu calçava - é desse que eu mais me lembro, mas não foi o único. Eu colocava algodão na ponta deles, para compensar o espaço que meu pezinho não preenchia. As bolsas, também não eram minhas, eu me apropriava delas e deles, eram da minha mãe e tia, mas eram ‘meus’, enquanto eu desfilava pelo corredor comprido da casa, fazendo o maior escândalo. Coisa de criança, com pressa de crescer.
E lá ia eu, me achando o máximo, eu acho(!). Era impossível passar despercebida, e isso me agradava. A minha avó dizia: “lá vai essa daí, com as tralhas penduradas!” Todos achavam graça, menos eu, que me sentia orgulhosa de usar coisas de gente grande. Já, a maquiagem para mim, era batom e sombra, que só me deixaram usar durante o carnaval, bem mais tarde.
De todas as bonecas que tive, teve um único boneco que permaneceu inteiro - o Ricardo, até que acabei doando. As outras, não tiveram a mesma sorte, algumas sem braço, outras sem perna. Talvez tenham pensado, que eu seria médica, quando crescesse, mas não foi o caso. Até hoje, não sei o que se passava pela minha cabeça, porque os braços e pernas quebrados não eram por acidente.
Trago essa doce lembrança, como de tudo o que vivi na infância. Cresci, comprei os meus próprios sapatos, mas hoje, saltos (?) … não mais! Curto sapatos, porém uso apenas, os mais confortáveis e que dão maior estabilidade. Das bolsas, ainda gosto, sou incapaz de ficar sem! Creio que me tornei mais exigente, com relação aos dois, mas nada se compara à satisfação que os ‘emprestados’ me deram.
Nenhum comentário:
Postar um comentário