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FAZ DE CONTA
Eu fingi. Fiz de conta, que não sentia o que realmente era. Neguei, neguei tanto, até que virasse pó, se espalhasse por sobre os móveis e se misturasse à minha vida, de uma forma que não conseguiria mais retirar. Eu o via em todas as esquinas que dobrava, em cada reflexo de vitrine, em todos os lugares. Ele sussurrava algo que não podia ouvir, mas sabia ler o que seus lábios diziam: ‘covarde’. Era eu mesmo tendo a coragem de me dizer o que eu precisava ouvir..
Hoje, sou uma entidade acrescida dele, sem chance de libertação ou esquecimento, carregando um arrependimento amargo, por ter-lhe negado o status que lhe era devido - e ele se ressente disso!
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