1688
PINGO, PINGO, PINGO RETICENTE
A chuva sobre o telhado, escorrendo até a beirada, caía sobre o rufo metálico, em algum ponto. Um pinga-pinga-pinga constante e rítmico, de uma mesma nota, era como se fazia ouvir o pingo. Provocava uma profunda sensação de bem estar, um barulho familiar e tranquilizador.
Mas o que ‘pegava’ era sua intermitência, o que lembrava a batida de três exatos pontos - reticências. E como toda reticência dá origem a várias interpretações, de se terminar a estória como quisermos … nasceram sentimentos antagônicos em relação à inicial sensação de bem estar.
E se, a chuva da noite invadisse o dia? E se, alcançasse a outra noite? Uma tristeza escura brotou da antiga tranquilidade, e se tornou uma estranha e incômoda presença de incerteza. Um medo de ficar sem ver o sol ou de não distinguir a noite do dia! De perder a capacidade de alegria, ao ver os primeiros raios de sol!
Ah pingo-pingo-pingo! Pode parar de pingar, porque já me deixou sem sono. Me faz o favor(?), de ser mais categórico quanto ao seu tempo de pingar, simplesmente pingue, e pronto - em um único ponto, o final.
Nenhum comentário:
Postar um comentário