segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

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PINGO, PINGO, PINGO RETICENTE

A chuva sobre o telhado, escorrendo até a beirada, caía sobre o rufo metálico, em algum ponto.  Um pinga-pinga-pinga constante e rítmico, de uma mesma nota, era como se fazia ouvir o pingo.  Provocava uma profunda sensação de bem estar, um barulho familiar e tranquilizador.


Mas o que ‘pegava’ era sua intermitência, o que lembrava a batida de três exatos pontos - reticências.  E como toda reticência dá origem a várias interpretações, de se terminar a estória como quisermos …  nasceram sentimentos antagônicos em relação à inicial sensação de bem estar.


E se, a chuva da noite invadisse o dia?  E se, alcançasse a outra noite?  Uma tristeza escura brotou da antiga tranquilidade, e se tornou uma estranha e incômoda presença de incerteza.  Um medo de ficar sem ver o sol ou de não distinguir a noite do dia!  De perder a capacidade de alegria, ao ver os primeiros raios de sol!


Ah pingo-pingo-pingo!  Pode parar de pingar, porque já me deixou sem sono.  Me faz o favor(?),  de ser mais categórico quanto ao seu tempo de pingar, simplesmente pingue, e pronto - em um único ponto, o final.



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