quinta-feira, 6 de março de 2025

1695




RAZÃO E AS RAZÕES

Ele é sentimento puro. Não se deixa guiar pelas convenções, não avalia as possibilidades; e  se assim o fizesse, já não seria mais, ele, quem fala.  Por isso, muitas vezes, ele grita e se coloca tão longe da razão!  Diametralmente opostos, ele carrega ‘razões’ que ela própria desconhece. Ingênuo?  Louco?  Inconsequente?  Nada disso, ele está sempre à frente, de tudo o que ainda não nos foi revelado!


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

 1694




PEDIDO DO DIA

Que eu não fique tempo demais, onde não deva.  Que meus ouvidos da alma estejam sempre limpos, para escutar a voz que me fala diretamente.  Que não me falte coragem para seguir minhas boas resoluções, além de qualquer resultado.  Que a paz tenha morada em mim.  Que os maus olhos não me vejam, porque o único mal com o qual posso lidar é o meu próprio.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

1693




A BOA E VELHA PENEIRA


Um dia desses, eu estava na cozinha, fazendo um suco no liquidificador, mas como sempre, restaram uns pedaços que não foram triturados.  Foi preciso passá-los pela peneira e esmagar os grumos, que ainda estavam presentes.  Às vezes, depois disso, ainda sobra o que não é possível passar pela malha estreita.


E como minha imaginação viaja, sem precisar de ‘maionese’, eu tive um pensamento, sobre o que podemos e o que devemos fazer, levando em consideração, o que é possível ser feito.


O processamento do liquidificador é sempre automático, e na teoria, tudo é permitido ser colocado lá, desde que não seja coisa que danifique suas lâminas - é só despejar dentro dele.  O resíduo que ele não consegue liquefazer, é o que precisa ser visto com um pouco mais de atenção, pelo trabalho manual, de ser peneirado e ser avaliado, quanto a deixar passar ou não. É aí que está a questão, tem coisa que não passará mesmo que a malha seja larga.  Nesse caso, a malha funciona como um filtro, do que é conveniente ou não passar. Aqui ela se torna mais importante, do que o próprio liquidificador.


Muitas coisas na nossa vida, fazemos automaticamente.  Noutras, nos deparamos com dificuldades de ‘processar’ e mesmo que, nossa intenção seja dissolvê-las por completo,  depois ainda, de forçar essa passagem, haverá detritos restantes, que é melhor que sejam  descartados.


arte __ mila marquis


1692





BEM E MAL

“Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe …” Ditado português

 

Esse, é um dos muitos que minha ‘vó Maria’ usava.  Uma enciclopédia ambulante de conhecimento e aplicação na vida; foi dela que aprendi, na medida em que eu fui conseguindo entender, o que aqueles ‘enigmas’ queriam dizer.  Era assim que me pareciam - enigmas, porque me faltava a prática da vida, apesar de entender as palavras.


Tudo é passageiro, essa é a mensagem principal e a moral da história, sim!  Porque dentro dessa frase cabe todo um conteúdo útil, que se pode desfrutar depois de ser extraído.  A impermanência, é o que fica patente, e isso serve para tudo: sentimentos, situações - experiências que conversam diretamente com a nossa paciência.


Afinal, é no ‘pretenso mal’ que o aprendizado se consolida, é no também, ‘pretenso bem’ que relaxamos, uma espécie de bônus, que a vida nos dá.  Vale ressaltar aqui, que o bem pode se revelar um mal e o mal pode se tornar um bem.


Mas por quê nunca reclamamos do bem?  E que na verdade, passa tão rápido; enquanto o mal pode se arrastar por tempo demasiado?  Chego a pensar que a passagem do tempo se altere, em rápida e demorada, conforme a situação que vivemos.


Curiosamente, é o mesmo ‘tempo’ quem define, se o bem é um mal ou se o mal é um bem.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

 1691




FAZ DE CONTA

Eu fingi.  Fiz de conta, que não sentia o que realmente era.  Neguei, neguei tanto, até que virasse pó, se espalhasse por sobre os móveis e se misturasse à minha vida, de uma forma que não conseguiria mais retirar.  Eu o via em todas as esquinas que dobrava, em cada reflexo de vitrine, em todos os lugares.  Ele sussurrava algo que não podia ouvir, mas sabia ler o que seus lábios diziam: ‘covarde’.  Era eu mesmo tendo a coragem de me dizer o que eu precisava ouvir..


Hoje, sou uma entidade acrescida dele, sem chance de libertação ou esquecimento, carregando um arrependimento amargo, por ter-lhe negado o status que lhe era devido - e ele se ressente disso!




terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

1690






GEMA E ESSÊNCIA

Não sou feito de vidro, mas tenho em mim, algumas partes que podem se quebrar, facilmente, se não tratadas de acordo.

Posso trazer uma aparência de pedra, porém essa dureza é mais aparente do que verdadeiramente sou, no miolo.


Tenho sonhos incondensáveis ainda, mas que precisam de espaço e ambiente, para 

ganharem forma concreta e vida.


Carrego imperfeições de muito tempo, que pedem respeito e misericórdia.


Como  todos, trago uma gema bruta, a ser arrancada da crosta em que se encontra, pelas mãos pacientes das minhas boas escolhas.  Deve ser lapidada, pelas intempéries do tempo e da vida, pelos golpes dos desafios sobre ela, até que sua essência e brilho possam ser liberados.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

1689




HÁ UNS BONS ANOS E NÚMEROS

Lembro com exatidão, tinha uns poucos anos, uns 5 ou 6, e andava para lá e para cá, com sapatos e bolsas que não eram meus.  Ainda ouço o toque-toque dos saltos dos sapatos no piso liso, e do esforço que eu fazia, para carregar bolsas bem maiores do que eu.


Os sapatos eram enormes, mas lindos!  Elegantes, de salto fino, feitos de camurça cinza bicolor, uns bons números a mais do que eu calçava - é desse que eu mais me lembro, mas não foi o único.  Eu colocava algodão na ponta deles, para compensar o espaço que meu pezinho não preenchia.  As bolsas, também não eram minhas, eu me apropriava delas e deles, eram da minha mãe e tia, mas eram ‘meus’, enquanto eu desfilava pelo corredor comprido da casa, fazendo o maior escândalo.  Coisa de criança, com pressa de crescer.


E lá ia eu, me achando o máximo, eu acho(!).  Era impossível passar despercebida, e isso me agradava.  A minha avó dizia:  “lá vai essa daí, com as tralhas penduradas!”  Todos achavam graça, menos eu, que me sentia orgulhosa de usar coisas de gente grande.  Já, a maquiagem para mim, era batom e sombra, que só me deixaram usar durante o carnaval, bem mais tarde.


De todas as bonecas que tive, teve um único boneco que permaneceu inteiro - o Ricardo, até que acabei doando.  As outras, não tiveram a mesma sorte, algumas sem braço, outras sem perna.  Talvez tenham pensado, que eu seria médica, quando crescesse, mas não foi o caso.  Até hoje, não sei o que se passava pela minha cabeça, porque os braços e pernas quebrados não eram por acidente.


Trago essa doce lembrança, como de tudo o que vivi na infância.  Cresci, comprei os meus próprios sapatos, mas hoje, saltos (?) … não mais!  Curto sapatos, porém uso apenas, os mais confortáveis e que dão maior estabilidade. Das bolsas, ainda gosto, sou incapaz de ficar sem!  Creio que me tornei mais exigente, com relação aos dois,  mas nada se compara à satisfação que os ‘emprestados’ me deram.