segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

  1687




FATA MORGANA


Eu tive uma visão.  Eu vi sua imagem, envolta em névoa, deslizando acima de algo, que parecia ser  um oceano ou o calor do deserto.  Havia luzes que ofuscariam meus olhos abertos e lhe tornaria irreconhecível, não fosse a camada de vapor que protegia todo o seu contorno.  Você vinha ao meu encontro.


Desprovido do meu senso de irrealidade, acreditei ver, no que meus olhos quiseram ver.  Pensei em delírio ou alucinação, mas estive mesmo, sob o efeito do fata morgana - uma ilusão de ótica, uma espécie de miragem, bem convincente


Era você passando por mim, e não havia nenhuma gota de água salgada ou doce, nem um grão de areia!  Inegavelmente, era só você, passando por mim e seguindo em frente.  Foi a minha fértil imaginação a me pregar uma de suas peças.  Eu deveria preferir que a visão se desfizesse, caísse aos pedaços, como pele morta!  Mas ao contrário, ela me fascinou por um longo tempo, de tão linda que era!


Não foi um fenômeno climático e não se deu em alguma região específica. Era um simples desejo meu, que se materializava diante de mim.




Fata morgana - (do italiano) fenômeno óptico que cria miragens, quando os raios de luz se curvam ao atravessar camadas de ar com diferentes temperaturas, uma inversão térmica.  Em referência à feiticeira meia-irmã do Rei Artur, segundo a lenda, era uma fada que conseguia mudar de aparência. 

domingo, 2 de fevereiro de 2025

1686





OS OLHOS E O OLHAR

 “A beleza está nos olhos de quem vê” … nada mais verdadeiro! 

Definitivamente, não são os olhos que veem.  Eles são apenas captadores das imagens, transmitidas para uma região do cérebro, na parte de trás da nossa cabeça - a visão em si, acontece lá, ou seja, a codificação e decodificação de tudo o que vemos.  Guardamos informações: todo o conteúdo aprendido e apreendido - o contexto, através do qual vamos ler todos os estímulos visuais captados por essas duas lentes, que são os nossos olhos.


Vemos apenas o que podemos ver, segundo o arquivo que trazemos dentro de nós, e este é quem vai determinar, como veremos -através das lentes corrigidas ou distorcidas, costumeiramente usadas pelo nosso ‘olhar’.  Enxergamos com as lembranças que temos, com os sentimentos e sensações que elas nos trazem, a visão vai para muito além dos olhos. As imagens são gatilhos que disparam rememorações de tudo o que já vimos e vivemos. Os olhos não veem de maneira igual, as imagens podem ser as mesmas, mas a interpretação delas é feita pelo o nosso leitor interior, numa abordagem subjetiva e peculiar a cada um. Alguns olhos podem ver o inferno à frente de si, enquanto outros, enxergarão o céu, diante da mesma imagem.


Dessa forma, se os nossos olhos veem a feiura, é porque ela também está dentro de nós.  Os olhos são mesmo, as janelas da alma, pelas quais podemos enxergar o que está fora, tanto quanto o que está dentro, se houver coragem para isso!


quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

 1685




OS TEUS OLHOS E OS MEUS


Ah, os teus olhos!  Eu os vejo à minha frente, quando fecho os meus.  São portais que me fazem transpor um limiar aquoso ou feito de vapor.  Não sei dizer se acesso o que vai dentro de mim ou se desbravo o que está para além dos teus olhos.  Penetro lugares, tempos e espaços, até então desconhecidos, mas que me são profundamente familiares, e onde desde sempre quis estar.

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Não tenho medo de sumir ou de não conseguir voltar, temo apenas, um dia, perder esse acesso!  E eu volto, lentamente, embora de olhos abertos, um pé aqui, outro lá, como se ainda enxergasse através dos teus.  Sinto que não sou o mesmo, trago comigo, lembranças e sensações novas; sei que lá deixei algo de mim.



domingo, 5 de janeiro de 2025

 1684



IMPROVISO


Os balões subiram aos céus, carregados dos nossos desejos para o ano novo.  Alguns, tiveram trajetória livre ao sabor do vento, outros ficaram presos nos galhos das árvores mais altas.  Talvez estivessem mais pesados(?), quem sabe estariam à espera de permissão para subir(!) …  Ao final, todos sumiram das nossas vistas, para além das nuvens.  


Eram nossas petições esperançosas. Quais foram deferidas?   Não sabemos!  E como os desejos são cheios de expectativas, nem sempre serão concretizados; haverá aqueles que morrerão antes disso - os natimortos.  Certamente, muitos serão indeferidos, apesar das nossas súplicas, que os acompanharam na subida.  Há ainda aqueles, que serão realizados, em parte, de uma forma diferente, e nem perceberemos que foram atendidos.  Certos deles, serão negados, veementemente.


Pela razão simples: desejar é lícito, porém nem tudo nos é conveniente!  Então eu pensei nos planos que fazemos e que dificilmente, saem como planejado.  Foi inevitável admitir, que somos compositores de melodias, sujeitos às circunstâncias imprevisíveis, lidando o tempo todo com o inesperado.  E que por mais que nos esforcemos na colocação perfeita  das notas, nos deparamos com a necessidade de rever os arranjos a todo instante.  Por consequência, somos todos forçados a ‘improvisos’ frequentes.


Fizemos a nossa parte, a primeira - desejar.  Foi lindo de se ver, pareciam pequenas gotinhas de mercúrio, de um termômetro quebrado, se espalhando sobre o algodão manchado das nuvens; só que dessa vez o mercúrio contrariou a força da gravidade   A segunda parte, ainda está por ser feita!


Se as águas que sobem, quando sugadas pelo céu, depois são devolvidas à terra, e se embrenham por suas entranhas … nossos pedidos, possíveis ou não, retornarão, de uma forma ou de outra.  É preciso estarmos atentos e prontos, na hora de reconhecer, qual ajuste deve ser feito.


sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

 1683



DESERTOS E MATAS

Atravessei noites insones e os áridos desertos.  Conheci as dores silenciosas e os medos medonhos.  Juntei os segundos, minutos e horas, passei através deles um fio e fiz um colar - porque era só o que eu podia fazer.  Procurei abrigo durante as tempestades de areia, e pude sentir cada grão riscando minha pele.  Ouvi o grito desesperado das dores sem voz.  Curvei-me às sombras dos medos ferozes.  

Nos entremeios, tive manhãs e dias radiantes; visitei matas e deliciei-me com seus encantos e brisas.  Escutei as batidas potentes do meu peito, nos momentos de alegria.  Algumas vezes, me fiz muito maior do que os medos medonhos, e eles fugiram, a ganir, como bichinhos medrosos.


Aprendi sobre gratidão, a cada manhã brilhante e a cada nova oportunidade.  Não conheci todas as dores, felizmente, só algumas; como também não venci todos os medos.  Ainda tenho noites insones e longas, lugares ermos para transpor.  Ameaçam-me tempestades secas como as de areia, outras de águas colossais.  Mas permaneço na confiança de que, quem me criou não me abandona.


terça-feira, 3 de dezembro de 2024

1682




UMA USINA DE IDEIAS

Impossível pensar só com a cabeça.  E como não há como separá-la do resto do corpo, nem impedir que qualquer pensamento provoque no físico ou no emocional a devida resposta - ondas cerebrais de frequências várias, repercutem sobre todo o corpo.  As ondas de energia criadas pelo pensamento - concebidas por instrumentos, suas engrenagens e funcionamentos desconhecidos, viajam pelo sistema nervoso.

Não se pensa só com o pensamento, se pensa com o corpo todo: com o cérebro, com o coração, com os nervos…  Pensamentos impactam as glândulas, que disparam hormônios através da corrente sanguínea, e fazem chegar sensações pertinentes ao tipo de vibração emitida, a todos os órgãos e células.


A saúde depende de nosso estilo de vida, do alimento físico, do ar, mas sobretudo de como nutrimos nossa mente.  O pensamento tem uma base física - a rede neural, mas não se circunscreve ao cérebro, ele irradia-se, por toda a nossa constituição, física e extrafísica.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

 1681



DEBIENDO EL PATO

¿Por qué, por mucho que paguemos, siempre tenemos la sensación de que cada vez estamos más endeudados?  Ya sea que admitamos nuestra culpa o no, el hecho es que pagamos, y punto.

Ya no se trata de 'pagar' o 'estar endeudado', ¡sino de saber exactamente quién es el verdadero pato de la historia!  ¡Estoy bastante seguro de saber quién es!