sexta-feira, 8 de janeiro de 2016


A CRIANÇA SANGUÍNEA:
COMO IDENTIFICAR, CUIDAR E EQUILIBRAR






 Rudolf Steiner sobre esse temperamento:
“Tudo deve ser feito para que o amor desperte numa criança assim. Amor é a palavra mágica. (…) Por isso os pais e educadores têm de considerar que não é inculcando pela força que se pode despertar na criança sanguínea um interesse duradouro por coisas. Devemos cuidar para que esse interesse seja conquistado pelo caminho indireto da afeição por uma personalidade. Devemos nos fazer amar por ela. Eis a tarefa que temos para com a criança sanguínea.”
O que ele quis dizer, em minha humilde interpretação, é pra desenvolvermos em nós ao mesmo tempo em que educamos a criança, uma personalidade digna do amor daquele ser, para além de sermos pais ou educadores. Aí é que está. Alguém que seja digno de admiração é um presente para esse temperamento. Ela se ligará e se fixará nessa pessoa por lealdade natural. Broncas, explicações demais e castigos são especialmente inúteis aqui.
Fabi Corrêa


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Estourado, avoado, na dele, tristonho. Na maior parte do tempo, como seu filho se comporta? A antroposofia divide os temperamentos (ou humores) humanos em 4 tipos. Conhecer esses tipos e entender qual a melhor maneira de lidar com cada um, suas necessidades e expectativas, ajuda muito. Acho especialmente útil quando a gente tem crianças, que se expressam pouco pelas palavras, mas muito pelas emoções. Se compreendermos que seu comportamento e seu tipo físico são uma expressão do espírito, fica mais fácil lidar com eles e conduzí-los ao equilíbrio.
Coléricos, sanguíneos, fleumáticos e melancólicos são os tipos. O assunto já era conhecido desde a Grécia antiga, um legado do médico Hipócrates, e Rudolf Steiner introduziu na pedagogia Waldorf, que pretende ser terapêutica ao mesmo tempo que educa. Todos temos um pouquinho dos 4, mas há sempre um ou dois que aparecem mais. Nas crianças muito pequenas eles não são muito definidos – vão se definindo à medida que se aproximam dos 7, 8 anos. E até então é muito comum que tendam para o sanguíneo. Mesmo assim, muitas vezes os traços principais estão lá e se soubermos logo cedo é um presente: a infância é o melhor momento para que sejam trabalhados e equilibrados. E também vale lembrar que ninguém é 100% uma coisa. Meu filho que era o próprio sanguíneo adquiriu traços melancólicos mais fortes ao se aproximar dos 10 anos.
Para entender rapidinho, um dia o pediatra dele me explicou assim: imagine que há uma grande pedra no meio do caminho. Se uma criança melancólica passar por lá vai pensar “ai, meu deus, uma pedra no meu caminho, que obstáculo, que azar”…e é capaz que sente e chore. Se for um fleumático, para e fica horas olhando a pedra, pensando que, se ela não sair de lá, então ele vai ter que desviar. Se for um colérico, chuta a pedra e continua pisando duro e, se for um sanguíneo, com seu andar que mal toca o chão, nem vê a tal pedra e continua flanando pelo seu caminho. Para falar mais de cada um, vou usar uma descrição física baseada no que tirei do livro A natureza anímica da criança, que acho a mais acertada de todas, mas no texto tem um pouquinho de tudo o que já li e ouvi sobre o assunto. Como tem muito pra falar, vou começar com o sanguíneo e, ao longo das próximas semanas, escrevo sobre cada um dos outros...


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