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MAIORES DO QUE EU
18/07/20
Quis chacoalhar, bater, esbofetear, para ser ouvido e não apenas por ouvidos - mas não o fiz. Gritei, esbravejei, ofendi - ah isso eu fiz, porque afinal, também sei fazer! Eu quis, no momento de maior indignação, colocar um 'implante' na cabeça da pessoa, com todos os meus pedidos justos - impossível. Pensei, em enfiar uma faca, cuidadosamente, entre duas costelas paralelas, e atingir em cheio aquele coração surdo, para saber se ele era capaz de sangrar como o meu sangrava - outra coisa que também não fiz.
Depois de um tempo bem razoável (muito razoável), não senti mais a necessidade de nenhuma medida a ser tomada, apenas deixar tudo como estava. A situação seguiria o seu curso, com ou sem a minha intervenção. Nenhuma revolta ou desejo de vingança existia dentro de mim. Olhava a situação, ela vazia de emoção ou sentimento, e eu também.
Finalmente, eu me via fora dela. Concluía que não havia mais nada, que eu ainda pudesse fazer, que não tivesse sido feito, para modificá-la. Foi preciso reconhecer, que há situações que não podemos modificar, em especial aquelas que não dependem só de nós. Aprendi, que algumas são assim, grandes, muito maiores do que eu.
