Sou como uma árvore, subitamente
sacudida por uma tempestade, que perdeu todas as suas folhas as quais continham
vida e se viu, magra com galhos pelados à mostra.
De uma só vez, as muitas
folhas foram levadas... Não gostei de como fiquei, antes tão exuberante a
farfalhar, agora me vejo nua, com duas raízes, uma para dentro da terra e outra
que cresce para o céu.
Duas extremidades em mim, parecidas, de mesmo formato, mas a
de cima tem aspecto e cor de pedra, enquanto que a de baixo, nem sei que cor
tem!
Não gosto dessa monocromia. Quero acreditar que por
dentro da pedra existe vida. Sim acredito e sei que a seiva a alimenta, quieta
e constante, em pequenas doses, em movimentos ascendentes, criando caminhos que
não existiam, transportando e abastecendo o tecido acinzentado.
O sol está aí e a chuva é para todos! Vez ou outra,
alguém vem abraçar meu tronco e então, entre um abraço e outro, troco energias
e sinto que não morri.
10.6.14

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