segunda-feira, 31 de agosto de 2020

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ISSO POSTO

31/08/20




Ao gosto contraposto, de armas apresentadas,

sucede desgosto anteposto. O metal em pontas reviradas

é um antegosto imposto, de intenções conspiradas.

É sentimento decomposto, por raivas transpiradas.



sexta-feira, 28 de agosto de 2020

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JÁ É TEMPO

28/08/20



Já é tempo de fazer calar a mente.  Cruzar sobre a boca fechada, um grande indicador - em formato de 'xiu', categórico e tácito - mostrando quem manda. Já é tempo, de direcionar as vertentes do pensamento, a terrenos mais férteis.

Lançar palavras a um coração inóspito, é como enterrar sementes boas, em chão pobre de nutrientes.  Por mais que o irriguemos, nada crescerá acima dele. Dentro do charco, aparecerão somente, alguns pontaletes de palafita, que com o tempo vão se tornar esverdeados e pegajosos, impregnados pelos dejetos que boiam em suas águas.



quarta-feira, 26 de agosto de 2020

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LUTO E PERDA

26/08/20

Luto é o período necessário, para se carpir um perda.  Nem à toda perda, corresponde um cadáver. Há perdas que nos fazem entrar num luto, em que não existe um corpo, para chorarmos sobre ele ... nem por isso, é menos triste ou doloroso.

Nesses casos, enterramos as nossas expectativas - a coisa mais inevitável de se ter ... e que tem morte certa, na maioria das vezes.


carpir - arrancar (fios de cabelo ou de barba) em sinal de dor, de sentimento.

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COM QUE MÁSCARA QUE EU VOU?

26/08/20



Há bem pouco tempo, a pergunta era: com que roupa que eu vou?  Devo  me vestir à vontade, ou devo ser formal?  

Na conjuntura atual, ninguém convida mais para um samba ou um café.  Seja para onde for, qualquer roupa serve, porque os lugares são tão poucos, que ninguém notará, se você estiver usando a mesma roupa, ou se não estiver, muito inadequadamente vestido, as prioridades agora são outras.  O importante é ter algum lugar para ir e poder ir.

A questão crucial agora é: qual máscara vou usar? Aquela que não estrangula minhas orelhas? ... aquela que não faz coçar meu nariz? ... aquela que me deixa respirar?   

Ir às compras, passou a significar, ir ao mercado, açougue e farmácia.  Qualquer encontro casual vira um evento.  É! ... os tempos mudaram, mesmo!



terça-feira, 25 de agosto de 2020

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ENQUANTO HÁ

25/08/20



Na surdina, a vida interina anseia sair e se tornar permanente, ela quer ser sentida em plenitude, enquanto há.  Estivera latente, por tempos ... cansada de esperar a chegada cavalaria; da próxima estação: das condições favoráveis, de temperatura e ventos propícios; de caírem os muros; de se abrirem as portas e outros tantos motivos louváveis de procrastinar.

Vida é energia; é água, que se estagna quando parada - em poças escuras e fétidas; é dores, nos músculos e tendões - ao ficarem privados de movimento, impedindo a fluência constante da própria vida, em sua mais importante função - de fazer circular as águas e as emoções; transformando-as em força, ou em movimentos prazerosos ao corpo.

Eu quase sinto! ... Não! ... Eu sinto realmente! ... Sinto formigar as pontas dos meus dedos, como se toda a energia contida, quisesse sair de uma só vez, pelas mãos, através do rompimento da pele, próxima a unha de cada dedo.  Sinto também, os órgãos pulsarem, como se tivera outros corações; o calor vem de um pequeno vulcão, não extinto, que apenas dorme, enquanto mantém quentes, as águas subterrâneas.



segunda-feira, 24 de agosto de 2020

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UMA BOA MEDIDA

24/08/20




Toda falta pede um complemento.  O excesso, sempre escorre entre os dedos e diminui quem recebe.  A medida boa é a certa - de dosagem específica.  A certa, não dói, nem pesa.  



sábado, 22 de agosto de 2020

1206

LACUNA OU FECHO

21/08/20


Engana-se quem pensa que o silêncio é intervalo silencioso, de ar parado, sem  sons que o atravessem.  É nele, que pairam as memórias retumbantes das palavras ditas, mais a intenção daquelas que não foram proferidas.

Pode-se ver, as palavras de costas, se afastando, com fúria gesticulante e indignada, batendo com força, o salto dos seus sapatos, no chão.  Algumas, podemos ver, que nos olham e ainda gritam, com rostos desesperados.  Outras, nada falam, só observam, com ar de desencanto e desesperança.

O silêncio pode ser, ainda, o último recurso, usado como medida extrema, quando as demais tentativas de diálogo falharam; ou até mesmo - ser a própria desistência, em si.  Ele pode representar uma pausa/reticência, ou um ponto final na comunicação - o momento exato, onde se 'joga a toalha'.

De fato, uma imagem é melhor do que mil palavras, mas algumas palavras têm o poder de formatar uma imagem, que dificilmente se apagará.

Eu prefiro pensar, que o silêncio seja um espaço para meditação, de ambas as partes, e que logo mais, o diálogo será retomado.  Digo isso, porque acredito, que dialogar, seja a única forma de alcançarmos uma convivência harmoniosa, onde sempre é possível estabelecermos de comum acordo, as regras que devem prevalecer.  É também, a única maneira de aprendizado e crescimento do ser humano, de como lidar com as arestas particulares de cada um, dentro de um território comum a todos, e que precisa ser partilhado, com educação e respeito. Há que se considerar, o por quê, de uma pessoa assumir a atitude de se calar, depois de um discurso eloquente e enfático.  

Apesar das diferenças entre as pessoas serem inúmeras, são as nossas semelhanças, que devem nos unir - os pontos que temos em comum ... e não as nossas divergências, serem o motivo de nosso afastamento. 

Silêncio pode ser lacuna, onde cabe um 'to be continued' ou pode ser o próprio 'the end', vai depender do grau de maturidade das pessoas envolvidas.