terça-feira, 27 de novembro de 2018

311 __ FEAR __ 27/11/16






Pode ser ...
que enquanto eu dormi, alguém veio
e fechou o lugar por onde entrei
construiu uma parede, onde era porta.
Já não posso mais sair!
Agora não posso, senão ir em frente!
Meus passos são tão pequenos ...
mais parece que não me movo!

Há  ‘desvios obscuros’
outros com uma luz ao fundo e
receosa das sombras que fazem
decido não seguir por eles!
Caminhos que se revelaram todos iguais
quando escolhi entrar por eles!
Não me levaram a lugar nenhum 
acabaram por se tornarem outras
passagens enevoadas e sombrias!

Talvez ...
O corredor em que me encontro
não seja tão longo ... pode ser!
O meu medo, o faz assustador
quando as imagens que estão dentro
se projetam para fora de mim!

Pode ser ... eu não esteja pronta
para falar, nem para ouvir
ou para ver!

Pode ser que eu encontre
a solução para a ‘sua’ busca à  liberdade
... mas não a minha!
Encarcerada ainda estou!

Pode ser ...
que a resposta que procuro
esteja perto de mim e
pela escuridão não consigo vê-la.
Pode ser ...
que estivesse num desses ‘desvios obscuros’
que não tive coragem para escolher seguir!


Fear = medo

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

PSI __ 114 __ DESENVOLVIMENTO DO APEGO






Apego é o vínculo afetivo, um mecanismo de sobrevivência, estabelecido pelo bebê com a sua figura de referência, a mesma que lhe oferece cuidados físicos, lhe proporcionando segurança e proteção.  Esse laço de afeição, poderia ser considerado como o nosso sistema de imunidade psicológica.



"As crianças já nascem biologicamente programadas para formarem vínculos com os demais, com o objetivo de sobreviverem."
__ John Bowlby | psiquiatra e psicanalista


Nessa linha de raciocínio, ele acredita que todos os comportamentos manifestados na formação e manutenção desse vínculo, são instintivos, e de algum modo nos influenciará em todos os  relacionamentos, por toda a nossa vida.


"Dizem que o amor é cego.  Mas será que ele é mesmo?  Na verdade, não há nada no mundo tão claro como o amor.  O que é cego não é o amor, é o apego."
__ Anthony De Mello


As quatro fases da criação desse vínculo, segundo o modelo evolutivo de  Bowly, são evidentes nas relações entre mães e filhos, entre um cuidador principal e a criança, em outras situações.  


Fase do pré-apego:  nas 6 primeiras semanas de vida, o bebê não demonstra preferência por ninguém em particular, que lhe ofereça conforto.  Através de comportamentos inatos, consegue atrair atenção dos adultos. Ele responde aos estímulos externos e busca contato físico.  O reconhecimento materno ainda é muito rudimentar, mas ao final dessa fase, já apresenta progressos.

Fase de formação:  vai até os 8 meses aproximadamente, ao ver-se separado dos demais, apresenta ansiedade, mas ainda não é capaz de identificar a falta materna, de uma maneira específica.  No final dessa fase, começa a responder mais claramente à figura materna.

Fase de apego:  aproximadamente aos 2 anos de idade,  a criança chega à fase do apego, propriamente dito.  Se sente mal com a separação da mãe, podendo até rejeitar fisicamente, à outras pessoas.  Tal separação é entendida como uma ameaça à sua sobrevivência, o que pode gerar uma certa ansiedade.

Fase de relações recíprocas:  depois dos 2 aninhos, já entende que a ausência da mãe não é definitiva, pode até acalmar-se sozinha.  Nessa fase, aparece a linguagem, e começa a elaborar representações mentais de sua mãe, entendendo a sua saída, prevendo o seu retorno e se familiariza com a dinâmica do lar.  Costuma até a chorar menos na sua ausência.


Superadas todas as fases, a contento, a criança aprende que mesmo sua mãe não estando tão próxima, ela lhe responderá ao chamado, porque criou-se uma relação sólida entre as partes.  





578 __ DE POEIRA E SENTIMENTO __ 28/11/17





As percepções e sensações são do corpo -  da matéria perdida das estrelas, de que somos formados  inicialmente - apenas nos apercebemos. 

As emoções e sentimentos - são o resultado das percepções e sensações,  captadas pelos nossos sentidos - passamos a pensar sobre o que sentimos.

São a transcrição  e codificação de uma inteligência ou um produto dela - do espírito que habita esse invólucro de matéria orgânica.

De acordo com a sua capacidade de corresponder à realidade à sua volta, essa leitura será mais ou menos próxima da verdade.

Eis do que somos feitos - poeira e sentimento.

576 __ PERMISSÃO __ 25/11/17

  


arte | jeremy mann


Como te permitistes, me perder?
A forçar-me ao exílio
distante e sem volta?

Queria pertencer a ti!

Não havia espaço!

Se assim o fizesse
 necessário seria, dizer todo dia
ao meu coração
de maneira constante
... que ele não quisesse o que queria 
...  que não teria o que tanto pedia!

Quis ser tua
mas eu tinha que antes
pertencer a mim mesma!

E as duas coisas
me foi impossível ter!


575 __ DOCE, FUTURO E OUVIDOS __ 24/11/17





Temos a curiosidade e a teimosia da criança - que de frente pro seu doce, sempre olha pros demais doces expostos na vitrine,  aos quais ela não pode comer naquela hora.  Não exita em olhar pro doce de seu coleguinha.

Nós, no dia de hoje, esticamos nosso olho em direção aos outros dias do calendário, pro amanhã, preocupados com o que ele nos reserva. Nós só estaremos lá, depois, por enquanto é aqui que estamos, até que o dia de hoje termine.  E ainda sem nenhum benefício pra nós, nos ocupamos em olhar o calendário do outro!

Perceba a calma que dá, saber que só temos que nos preocupar com algumas tarefas que são pra hoje!  E pra isso vamos receber força e determinação necessárias, devendo ser gastas nesse dia!  

E eu tenho que repetir, e repetir isso pra mim!

Que as tantas tarefas que nos incomodam - não são pra hoje - e que nem poderíamos fazê-las por absoluta falta de tempo.

Quem sabe, o que vai acontecer antes disso?

A vida é um túnel do tempo, só de ida, como não podemos voltar, apreciemos o momento presente, o único realmente presente agora.

Que a criança aprecie o doce e o deguste hoje.  Amanhã ela poderá escolher outro.

Façamos o que temos pra hoje.  Amanhã seremos capazes de fazer o que for preciso pro amanhã.

Temos a cada dia - boca pro doce ...  e vida pras empreitadas e desafios!

E sempre, o primeiro par de ouvidos é o meu!



577 __ MESTRE __ 26/11/17




A sua barba era tão espessa, que escondia parte de sua boca, parecia ser pequena, só se via o lábio inferior.

Mas dentro daquela boca, cabia a história do universo inteiro, de cada uma de suas criaturas, conhecidas ou não.

Guardava também, a trajetória de cada homem vivente,  sobre a face dos planetas.

Seus olhos!  Ah ... seus olhos!  Não sei por quanto tempo estive a fita-los, hipnotizada!

Quando finalmente, eles começaram arder de tão secos, eu os fechei ... e seus olhos ainda me olhavam, conhecedor de cada uma de minhas dores, sondando cada uma de minhas potencialidades.

Ele estava dentro de minha morada ... e me perguntei se eu seria digna dessa presença em mim!



19 __ UM OLHAR SOBRE O COMPORTAMENTO HUMANO
“PIMENTA OU ÁGUA BENTA”
O que vai ser?
26/11/16





Não conhecia essa espécie de comparação.  Nunca tinha ouvido alguém colocar tão bem - de forma tão sintética - as possibilidades de nos referirmos ao comportamento alheio.  Eu ouvi essa semana.

Devido ao arrastamento humano que temos, de julgamento em relação às atitudes de outra pessoa, vamos correr sempre o risco de sermos injustos.  O ‘outro’  já diz tudo, ‘o outro’ – uma pessoa diferente de nós, não necessariamente divergente.

Olhar o comportamento humano é uma coisa, julgá-lo é outra, e julgar de forma a jogar ‘pimenta’ nele,  é outra bem mais desumana.   A tendência é sempre, engrossarmos as nossas considerações negativas, quando temos algum tipo de reserva em relação ao dono do comportamento.   Se o outro, é alguém por quem nutrimos simpatia ou amor, as nossas considerações a respeito do seu comportamento, serão bem mais compassivas.  Procuraremos colocar uma espécie de ‘água benta’ nelas, no sentido de amenizar a responsabilidade das ações do autor e os seus efeitos negativos. Entre os “dois pesos, duas medidas” – já que é irresistível julgar - que tal usarmos sempre as medidas mais leves?  Afinal, todos nós necessitamos de ‘água benta’ para com as nossas atitudes infelizes.

Fel ou mel, você escolhe.  Mas lembre-se, de que qualquer uma delas, falará do que vai dentro de si mesmo!