quinta-feira, 22 de março de 2018



RE_EDIÇÃO      Viés       




De  soslaio ... esguelha
 espiei  ...  nem  vi!
                                                                         Oblíquo ... diagonal
     foi  o  rumo  que  peguei!
      Tangenciei!
       Distanciei!
                        Fui  bem  longe!
                            pra  depois voltar ...
                              ... tive  que voltar!


                         Pela  mesma  estrada
                        refazendo  o caminho
                      no  sentido  inverso!
                     Repassando  os  fatos
                    revivendo  tudo!
                  Escutando  de  novo
                 os  velhos  casos 
                pra  olhar  de  novo
              com  um  novo  olhar!

29/03/17
RE_EDIÇÃO      Rua 27 de maio       


greg spalenka

Ela morava na rua 27 de maio de um ano qualquer.  Vestia um casaco dois números abaixo do seu, sentia frio porque ele não fechava.  Calçava sapatos desconfortáveis, nem sabia porque!  Sua comida já não tinha gosto e a sua bebida vivia sem graça.

Tudo ao seu redor era sem cor, estava tudo desbotado, embora enxergasse bem e cuidasse de tudo muito bem!

Trazia uns pensamentos dos quais já tinha se cansado.  Eram sempre os mesmos, como aquelas músicas que não saem da nossa cabeça, mesmo não gostando delas.  Tudo igual, tudo rotina.

Um dia, ela andando pelo mesmo lugar, vestindo o mesmo casaco, com pés normalmente doídos e achando que tinha perdido o paladar ... ela sentou-se no mesmo banco, o de sempre, da mesma praça e percebeu que estivera andando e vivendo e comendo e amando no passado.  Sua casa já não era mais na rua 27 de maio, tinha enjoado dela.

Doou o casaco, jogou fora os sapatos porque estavam imprestáveis, passou numa loja que nem conhecia, e comprou tudo novo.  Num lugar novo, totalmente novo, que nunca tinha entrado, escolheu algo pra comer e beber, que nunca tinha provado antes - enfim  aceitou a sugestão do garçom.

Ela viu como era bom estar confortável, degustar com prazer novos sabores, escutar novas músicas.

Sem querer começou a dançar, sozinha sem vergonha da sua alegria. 

Conheceu outros lugares, de barriga cheia, satisfeita, cantarolando  -  foi pra casa escrever, mas não voltou mais à rua 27 de maio.

29/03/17


RE_EDIÇÃO     Cuideis!      


greg spalenka

Não deixeis que o brilho dos olhos dela
se ofusque ... e se ofuscar,
que não sejais vós, o responsável,
cuideis para que ele não se apague!   

A chama da vela festiva
deve refletir e dançar  
na superfície cristalina do seu olhar!

Ela não é pára-raio 
para as vossas tempestades,
nem é simples receptáculo
para as vossas necessidades físicas,
muito menos espelho refletor
para a vossa imagem aumentar!

Não é vossa mãe, a quem porventura
possais reclamar uma atenção que faltou ...
Porque ela pode ser 
um  porto seguro para a vossa viagem 
e fiel depositária de vosso amor.
Foi sua escolha, estar ao vosso lado!

Não lhe dê um altar,
porque não é isso que ela espera,
ela anseia formarem um par,
... de mãos dadas,
com igualdade e respeito!

Da chama que deveis manter,
depende a luz dos vossos caminhos
... e é essa mesma luz
que permitirá  a ela,
olhar-vos como homem
ou como um menino!

28/03/17

quarta-feira, 21 de março de 2018


RE_EDIÇÃO

Flagelo
25/03/17




Sofres de uma doença invisível
... mostra-te aos medos, impassível ...
és liso e fronteiriço
... a defender ideias vagas ...
nos prestando um desserviço!
Por fora não trazes chagas ...
... mas dentro, estás cindido ...
 em tantas partes dividido 
... um espectro empedernido ...
e choras como menino, escondido!

A todos,  afetas com teu rigor
enquanto feneces num torpor!

Quando trarás agregado
...  e reunido  ...
o que não existe separado?
Até lá, andarás desunido!



RE_EDIÇÃO
Sobre começo, meio e fim
17/03/17




O raio riscou uma linha aleatória
quase igual ao símbolo de somatória!
No céu, ele assinou seu nome
com ruido de estômago com fome!

Fez tremer a terra e o homem
a ele e a seus medos fortuitos
... aqueles que lhe consomem!
Raios e medos dão curto-circuitos!

O raio nasce na terra
e sobe acima da serra
... lá sua vida se encerra!

O homem nasce do pó
indefeso ... ele berra!
Desvalido, ao pó, retorna só
quando a terra o soterra!

OH BENDITO FRUTO!                                                      641




Repousa tua cabeça sobre o meu ventre. Chega mais perto desse território sagrado.

Ausculta-me as entranhas barulhentas e celebra a vida que dele transborda.


RE_EDIÇÃO

Contrição
25/03/17



Hoje, eu preciso falar sobre um tipo de amor que não entra pra história, porque nasce, cresce e se perde sem deixar provas concretas de sua existência.  São nascidos sem certidão de nascimento, vivem sem identidade e acabam sem um atestado de óbito.

Por medo, vergonha ou orgulho, não transpõe a soleira das alcovas e negam a si, conhecer o gosto de um beijo ou a satisfação de um prazer compartilhado.

Seguem pelo resto de seus dias - ao abrirem seus olhos por todas as manhãs, arrependidos – maldizendo a oportunidade perdida, nunca por terem amado.

São anônimos, sem nome ou sobrenome, assim sobrevivem, definham e morrem, sem sequer uma suspeita de terem existido.