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terça-feira, 8 de agosto de 2017




QUANDO CHEGAR A HORA               497







A brancura da neve, aos poucos, vai dissolver-se em transparência líquida e pingadeira.

O sol tímido, esquentará o chão, as raízes, o tronco, fazendo bater mais forte o coração da velha cerejeira, que esteve hibernando quieta, poupando suas forças.

Nas ramas adormecidas, surgirão pequenos botões, prontos para desabrocharem, numa explosão de vida, quando chegar a hora.

Um rouxinol virá, anunciando a primavera e a renovação certa.  Ele vem pousar nos galhos ainda lisos, à procura de insetos – visitantes e passeadores – que só chegarão mais tarde, atraídos pelo perfume exalante das flores abertas.  Um tanto apressado, ele aproveita para bebericar das gotas geladas que teimam em cair dos galhos mais altos.

E o rouxinol com seu canto, chamará outros pássaros, as borboletas e todo bichinho voador, para coreografarem por sobre as flores - o que as alegrará e a mim também!