segunda-feira, 24 de março de 2025

 1697





DE BURACO EM BURACO

Era para ser um agradecimento puro e simples, pois completei ontem, mais um ciclo de vida; mas acabei indo fundo, e falei sobre a linha circular que desenhamos, subindo em direção à evolução, enrolando-se em um eixo vertical imaginário.

Nos parece que andamos em círculos, e andamos mesmo, círculos ascendentes, quase nem percebemos a nossa ascensão, de tão lenta que ela é.  De tempos em tempos, as mesmas dificuldades nos alcançam, não importa o quanto tenhamos caminhado; travestidas e com uma outra face, nos vêm assombrar, de novo a trajetória.


À cada nova investida, estamos um pouco menos vulneráveis a elas, porque nos encontramos em um outro ponto, diria eu: um pouco menos suscetíveis aos velhos desacertos.  Colocarei assim, ‘desacertos’, porque aprender a fazer o ‘certo’ é coisa que requer muita transpiração de nossa parte e muita determinação para continuarmos a enfrentar as nossas próprias fraquezas.  Ninguém se fortalece de um dia para o outro.


A boa notícia é que, junto com essas novas investidas, nos vêm também, um pouco mais de experiência adquirida.  A nossa vida é cíclica e devemos nos negar a repetirmos os mesmos erros, já que de nada teriam servido os apuros anteriores e o aprendizado cairia por terra.  Afinal, buraco conhecido deve ser tampado ou ao menos, sinalizado.


quinta-feira, 6 de março de 2025

 1696




‘QUEM CORRE DE GOSTO, NÃO SE CANSA’


Era o que minha avó dizia, mas eu não imaginava, como isso seria possível.  


Correr é óbvio, cansa sim. O ‘correr’ aqui, significa fazer algo - ‘os corre’ da vida.  ‘Correr de gosto’ é fazer motivado, com paixão e convicto.   Não se cansar ‘correndo de gosto’ é não se desgastar tanto, atingindo a satisfação e a realização com o feito.


Ufa!  Demorou, para que eu entendesse, sobre o que ela falava!  




1695




RAZÃO E AS RAZÕES

Ele é sentimento puro. Não se deixa guiar pelas convenções, não avalia as possibilidades; e  se assim o fizesse, já não seria mais, ele, quem fala.  Por isso, muitas vezes, ele grita e se coloca tão longe da razão!  Diametralmente opostos, ele carrega ‘razões’ que ela própria desconhece. Ingênuo?  Louco?  Inconsequente?  Nada disso, ele está sempre à frente, de tudo o que ainda não nos foi revelado!


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

 1694




PEDIDO DO DIA

Que eu não fique tempo demais, onde não deva.  Que meus ouvidos da alma estejam sempre limpos, para escutar a voz que me fala diretamente.  Que não me falte coragem para seguir minhas boas resoluções, além de qualquer resultado.  Que a paz tenha morada em mim.  Que os maus olhos não me vejam, porque o único mal com o qual posso lidar é o meu próprio.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

1693




A BOA E VELHA PENEIRA


Um dia desses, eu estava na cozinha, fazendo um suco no liquidificador, mas como sempre, restaram uns pedaços que não foram triturados.  Foi preciso passá-los pela peneira e esmagar os grumos, que ainda estavam presentes.  Às vezes, depois disso, ainda sobra o que não é possível passar pela malha estreita.


E como minha imaginação viaja, sem precisar de ‘maionese’, eu tive um pensamento, sobre o que podemos e o que devemos fazer, levando em consideração, o que é possível ser feito.


O processamento do liquidificador é sempre automático, e na teoria, tudo é permitido ser colocado lá, desde que não seja coisa que danifique suas lâminas - é só despejar dentro dele.  O resíduo que ele não consegue liquefazer, é o que precisa ser visto com um pouco mais de atenção, pelo trabalho manual, de ser peneirado e ser avaliado, quanto a deixar passar ou não. É aí que está a questão, tem coisa que não passará mesmo que a malha seja larga.  Nesse caso, a malha funciona como um filtro, do que é conveniente ou não passar. Aqui ela se torna mais importante, do que o próprio liquidificador.


Muitas coisas na nossa vida, fazemos automaticamente.  Noutras, nos deparamos com dificuldades de ‘processar’ e mesmo que, nossa intenção seja dissolvê-las por completo,  depois ainda, de forçar essa passagem, haverá detritos restantes, que é melhor que sejam  descartados.


arte __ mila marquis


1692





BEM E MAL

“Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe …” Ditado português

 

Esse, é um dos muitos que minha ‘vó Maria’ usava.  Uma enciclopédia ambulante de conhecimento e aplicação na vida; foi dela que aprendi, na medida em que eu fui conseguindo entender, o que aqueles ‘enigmas’ queriam dizer.  Era assim que me pareciam - enigmas, porque me faltava a prática da vida, apesar de entender as palavras.


Tudo é passageiro, essa é a mensagem principal e a moral da história, sim!  Porque dentro dessa frase cabe todo um conteúdo útil, que se pode desfrutar depois de ser extraído.  A impermanência, é o que fica patente, e isso serve para tudo: sentimentos, situações - experiências que conversam diretamente com a nossa paciência.


Afinal, é no ‘pretenso mal’ que o aprendizado se consolida, é no também, ‘pretenso bem’ que relaxamos, uma espécie de bônus, que a vida nos dá.  Vale ressaltar aqui, que o bem pode se revelar um mal e o mal pode se tornar um bem.


Mas por quê nunca reclamamos do bem?  E que na verdade, passa tão rápido; enquanto o mal pode se arrastar por tempo demasiado?  Chego a pensar que a passagem do tempo se altere, em rápida e demorada, conforme a situação que vivemos.


Curiosamente, é o mesmo ‘tempo’ quem define, se o bem é um mal ou se o mal é um bem.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

 1691




FAZ DE CONTA

Eu fingi.  Fiz de conta, que não sentia o que realmente era.  Neguei, neguei tanto, até que virasse pó, se espalhasse por sobre os móveis e se misturasse à minha vida, de uma forma que não conseguiria mais retirar.  Eu o via em todas as esquinas que dobrava, em cada reflexo de vitrine, em todos os lugares.  Ele sussurrava algo que não podia ouvir, mas sabia ler o que seus lábios diziam: ‘covarde’.  Era eu mesmo tendo a coragem de me dizer o que eu precisava ouvir..


Hoje, sou uma entidade acrescida dele, sem chance de libertação ou esquecimento, carregando um arrependimento amargo, por ter-lhe negado o status que lhe era devido - e ele se ressente disso!