sexta-feira, 27 de setembro de 2024

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FRUTOS AMARGOS 

Eram dias tórridos, sujeitos à inclemência do clima e às exigências materiais - flagelando o corpo, fustigando a mente ou vice-versa.  Sem dúvida, era de se ponderar, sobre o quanto somos responsáveis pelas condições tão alteradas. 

Tanto no desrespeito ao meio ambiente e uso dos recursos, como na desconsideração, do que é realmente importante para uma vida saudável - colhemos agora, o que foi semeado desde sempre, e o que ainda estamos a semear.



segunda-feira, 23 de setembro de 2024

 1675



 

O DIA DA FESTA 

Vês, como a vida passa com pressa?  Nem sempre foi assim.  Ela costumava arrastar-se vagarosa, pelas horas e dias.  Custava chegar o fim de semana, o feriado, as férias, o dia da festa!  A espera era no mínimo, desesperadora!

Os tempos são outros, e não têm nada a ver com idade ou expectativa; porque jovens e não tão jovens, constantemente, estão a se perder pelas horas dos dias, pelos dias da semana.  Um domingo encosta no outro, o fim de ano bate à porta e o temor de que não ‘tenhamos tempo’ é grande.  Afinal, o que passou, já se perdeu na nossa memória; e o que está por vir, talvez nem seja possível, termos tempo de senti-lo passar.  A terra gira acelerada; e como nos aproximamos rapidamente, do dia da festa, também nos apavoramos com a iminência da morte.  O desespero agora é outro - não desfrutarmos a plenitude das coisas boas.

Parece que o tempo tomou em suas mãos, as rédeas de seu movimento e velocidade ... ou então, adquiriu uma vontade própria, que antes nunca imaginou que pudesse ter.  Ele nos atropela e nos põe a correr, atrás de nossos próprios rabos. Somos reféns da sua vontade, da sua pressa e da sua indiferença.



sexta-feira, 6 de setembro de 2024

 1674




DONOS DE SI

Pensamentos transbordantes, para além das fronteiras físicas, ultrapassam desapegados, a linha imaginária, que circunda a cabeça.  Alguns se recusam a caberem dentro da caixa da própria máquina que os fez, alçam voos para muito longe.  Uma vez pensados, sentem-se donos de si, como se 'pensassem por si mesmos', desde sempre e não, que tivessem 'sido pensados', em primeira instância.  Não aceitam permanecer confinados ao minúsculo espaço, explodem numa expressividade agressiva e reivindicam sua identidade e liberdade.  Vão ao encontro de outros, tão livre quanto eles.


segunda-feira, 2 de setembro de 2024

1673



 

RETICÊNCIAS 

Debruçada sobre cotovelos de julieta, está a esperança, que se põe à janela, para ver o mundo girar.  Mesa posta, cama feita, flores frescas.  A porta aberta é 'reticências', colocada no final da última frase, sugerindo uma intenção oculta; porque o mundo gira, e numa dessas voltas, a estória pode continuar.


sexta-feira, 30 de agosto de 2024

 1672




ÁGUAS IMPETUOSAS 

Ao apreço não se põe preço, ao vento não se coloca ponto.  A coragem se faz surda à dúvida e o fato é coisa havida.  Barragem só represa água calma, o estouro é nossa incúria perante sua fúria.  As emoções têm a força das águas; a alma tem o poder de conter a carne, até que desencarne.  Se torna então, assombração, dementada, criatura fragmentada em arrependimento e ressentimento, num misto de revolta e autocomiseração.

1671




A VELA BOA E O MAU ENTENDEDOR 

"Para o bom entendedor meia palavra basta" ... e para o mau?  Nem um tutorial longo e detalhado é capaz de explicar algo, a quem não pretenda entender.  Mas ao bom mesmo, um olhar, já seria o suficiente, poupando discursos exaustivos.  Quem se esforça para passar a mensagem e não tem êxito, gasta seu tempo, vocabulário, paciência, como se gastasse vela boa - um desperdício de pavio e cera com um defunto surdo e estagnado na sua ignorância.


 

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

  1670





À SOMBRA DA DÚVIDA

É sob ela que vivemos.  Alguma certeza?  Única - a da mudança, eterna incerteza.  Impossível é acreditar no que vemos e é sábio não considerar o que ouvimos; pois que, quase tudo o que se vê, pode ser imagem adulterada; nem tudo o que se ouve é verdadeiro.  Nestes tempos de invenções e intenções escusas: de nos fazer perder a evolução adquirida, de nos retirar do caminho correto, de inverter a importância das coisas, do certo ser feito o errado, do errado ser promovido a correto - manter o equilíbrio é exercício hercúleo. De certo mesmo, só podemos contar com o que sentimos, e o que sentimos, invariavelmente, nos leva à insegurança.

A respeito do que se diz, sobre a sombra que nos protege do sol, essa sombra não nos protege de nada; muito ao contrário, nos expõe às influências tóxicas, disponíveis indiscriminadamente, dando origem às causas de instabilidades emocionais de todo tipo.  Sem considerar idade, sexo, credo, posição social, está aí, para quem quiser permanecer sob ela, num emburrecimento democrático e perverso.