terça-feira, 19 de setembro de 2017




NHEC-NHEC ____________________ 522







Eu pergunto, ela não responde.  Ouço um nhec-nhec.  Do jeito que está, fica. Pra frente e pra trás em sua cadeira de balanço, às escuras, olhando pra eternidade.

Faz crescer à minha frente, dois paredões rochosos, um canyon, pra onde grito a minha voz de indagações.  Mas as minhas palavras reverberam nas paredes e retornam a mim, como eco, na mesma entonação, nem mais afirmativas, nem mais negativas, não menos indagativas do que como foram.

Nesse método terapêutico, elas me devolvem as mesmas perguntas, apenas um pouco mais arrastadas.

Tenho ímpetos de xingá-la de surda. Porque nunca me responde, ao contrário, arranja sempre um jeito de devolver o que perguntei.  Bem que gostaria que respondesse, ninguém saberia disso, o fato ficaria entre nós, pois os paredões são à prova de som o que nos torna únicas testemunhas.

Impassível, pelo tempo que durar, ela faz o nhec-nhec, com a pressa de quem não tem aonde ir. Fica ali, balançando-se, marcando o tempo com a sua cadeira, no escuro, sem mostrar seu rosto. 

Por vezes eu bem que gostaria de obter uma resposta fácil, pra um bom resultado, mas se acaso respondesse em alguma das vezes em que pergunto, é bem provável que eu não aceitasse sua opinião.  Como poderia confiar em alguém que não mostra a sua verdadeira face?

Mas eu sei que ela não é surda, não responde, não porque não quer ... porque as respostas? ela não as tem.

Não conheço sua aparência, pode ser jovem, velha - criança é que não é.  Quando me devolve as perguntas que lhe faço, fazendo com que eu procure as respostas dentro de mim, eu vejo nela, uma sabedoria incompatível como a de uma criança.  Só sei que quando bate a luz do dia, ela não está mais lá.  Não ouço o seu nhec-nhec.


Dessa forma, fazendo como ela faz,  não terei a quem culpar pelo caminho errôneo que escolher, senão a mim mesmo ... mas mérito de um  acerto, eu compartilho com os dois paredões.




segunda-feira, 18 de setembro de 2017




RELUTÂNCIA  ________________________ 521












Os cafezais estão torrando nos campos, num estranhíssimo inferno de final de inverno.  Os peixes, literalmente, morrendo pela boca, porque comem o nosso lixo.

Os seres humanos secando, física e energeticamente, na aridez do planeta ... morrendo afogados ou destroçados pelas catástrofes de todos os tipos.  Aqueles que sucumbem de doenças novas e das velhas conhecidas.  Outros que definham por doenças não vistas e mesmo assim, acreditam ter qualidade de vida.

Os animais, as plantas, as rochas, todos se ressentem das comoções que afetam o equilíbrio e ameaçam a vida.

O planeta resiste com longos e penosos haustos, que lhe custam os pulmões já envenenados e que perderam a capacidade de inflar e soltar o ar.  Num sacrifício hercúleo, de quem se dá por amor e não pelos louros.

Arranca ainda assim, de suas entranhas o alimento, a água, o berço necessários a todos os seres viventes.  Permite que lhe extraiam as riquezas que são de todos, para alguns poucos.

O homem ainda insiste, finge que não é com ele, embora pressinta uma certa culpa por todo esse processo, ainda nega a sua responsabilidade - enquanto  não consegue admiti-la como sendo sua e quando deixa de fazer algo a respeito, porque fazer algo a respeito é parar um processo muito lucrativo.

Acompanha a tudo isso, o infortúnio, que é um vírus invisível a olho nu, penetra por qualquer brecha, se infiltra por qualquer rachadura, atravessa qualquer barreira. Pode ser sólido, líquido, gás ou espectro. Não há um só lar em que não se faça conhecer e se tornar íntimo.  Em cada um que adentra, senta-se à mesa, deita-se à cama, prostra-se de frente à tv.





domingo, 17 de setembro de 2017


 


PSI __________________ 63 - Minhas considerações





https://amenteemaravilhosa.com.br/3-tipos-de-mentes/






3 tipos de mentes: qual é a sua?









Falar da mente é falar de um conceito bastante abstrato, que não é nada claro para muitas pessoas. Trata-se de uma palavra que tem como objetivo abranger os processos que ocorrem no nosso cérebro: pensamento, consciência, percepção, crenças, desejos, sensações, etc. A mente passaria a ser o terreno onde acontecem os processos conscientes, inconscientes e funcionais.
Essa mente está refletida nas ideias, nas ações, e em diversas manifestações da atividade cerebral. Tudo isso vem de processos estruturados. Por outras palavras, toda essa atividade mental não acontece por acaso, mas obedece a padrões ou esquemas que são aprendidos ao longo da vida. Isso não significa que é algo imutável. No cérebro, tudo pode mudar.

O cérebro não é um vaso por encher, mas uma lâmpada por acender”.

-Plutarco-


De acordo com a forma como ocorrem esses processos, alguns estudiosos do tema propuseram a existência de três tipos de mentes: a rígida, a líquida e a flexível. Cada uma delas tem suas próprias características e obedece a lógicas diferentes. Vejamos isso em detalhes.


As mentes rígidas: a resistência a adotar novas perspectivas

A educação é o fator que mais influencia na formação das mentes. É comum que muitos indivíduos com mente rígida sejam filhos de pais rígidos. Esta rigidez é, em princípio, um mecanismo de defesa. As ideias fixas dão uma sensação de maior controle e nos protegem da incerteza. Aqueles que apresentam essas características são ideais para participar de atividades onde o meio seja um fator disciplinar.
Em contrapartida, quem tem uma mente rígida também poderia ser um pouco superficial. Eles não param para analisar ou avaliar a validade das ideias ou das ações. Eles assumem que tudo deve seguir um caminho muito preciso, que também já está predeterminado.
Isso faz com que tenham grandes dificuldades para acreditar e, por esse motivo, geralmente se limitam a repetir. É possível que se sintam muito confusos e desamparados se algo ou alguém os tirar da sua zona de conforto. A falta de controle sobre as situações normalmente gera muita angústia e sofrimento para eles.


As mentes líquidas: uma perspectiva camaleônica

Com as mentes líquidas ocorre exatamente o oposto das rígidas. Elas não conseguem ter consciência e, por isso, se acomodam por qualquer coisa. Elas assumem a forma do recipiente onde estão alojadas. São características de pessoas que renunciaram a qualquer tipo de controle sobre as circunstâncias.
Este tipo de mente representa as pessoas que precisam de algo ou de alguém que as oriente. Para elas, é muito difícil tomar decisões e mais ainda assumir posições frente a realidade. Elas não sabem o que pensar. E como não sabem, delegam essa tarefa a outras pessoas que apreciem essa segurança que falta a elas.
Aqueles que têm esse tipo de mente também têm muitas dificuldades em ser perseverantes. Eles não definem metas, mas deixam que outros as imponham e se sentem satisfeitos com isso. Eles podem ser muito bons em trabalhos que exijam grandes doses de subordinação. De uma forma ou de outra, eles se complementam com as mentes rígidas.

As mentes flexíveis: um ponto de equilíbrio

As mentes flexíveis são caracterizadas por serem adaptáveis. Só por serem adaptáveis não quer dizer que, assim como as mentes líquidas, aceitem tudo de forma passiva. Sua adaptação é fundamentada e criativa. Elas sabem se enquadrar na realidade sem impor seus critérios, mas também sem aceitar de forma submissa os critérios de outras pessoas.
Neste caso, é o pensamento que guia a ação. A realidade é algo que se processa e um objeto de análise e aprofundamento. Existe espaço para os argumentos e as evidências, por isso nas mentes flexíveis existe a troca de opiniões e a adaptação de ideias. É, de alguma forma, uma mente humilde. Ela não acredita ser a dona da verdade, tampouco cede ao irracional ou errôneo por falta de julgamento.
Tudo isso faz com que as relações com o mundo sejam mais afáveis e construtivas. Além disso, esse tipo de mente cria as condições para promover a sua evolução. A vida é uma mudança e a mudança é positiva porque desafia e, ao mesmo tempo, ajuda a crescer.
Nenhum de nós está classificado exclusivamente dentro de um único tipo dessas mentes. Todos temos um pouco de cada uma delas, ainda que as características de uma ou de outra sejam predominantes. Tampouco podemos dizer que existem “mentes ruins” e outras “boas”. No entanto, vale a pena entender que existem formas mentais que nos ajudam a ser mais felizes, enquanto outras nos estancam ou nos anulam.



                  ______________ 63 - Minhas considerações

Ter a mente rígida, é resposta a necessidade de estar sempre no controle.  É um comportamento que atua como um mecanismo de defesa para evitar a angústia e sofrimento de ser retirado da zona de conforto. Enquanto velhas crenças forem mantidas e os caminhos percorridos continuarem os mesmos, a pessoa se sente segura.
Mente líquida, o extremo oposto à rígida, renuncia ao controle. Assume a forma do recipiente que as aloja, a famosa 'maria vai com as outras'.  Necessita sempre de orientação.
Mente flexível, é permeável, admite a troca de opiniões e adaptação de ideias, e quando o fazem, é de forma fundamentada e criativa.



sábado, 16 de setembro de 2017





https://bebemamae.com/bebes/5-coisas-que-os-pais-precisam-fazer-para-ajudar-a-construir-o-cerebro-do-bebe





5 COISAS QUE OS PAIS PRECISAM FAZER PARA AJUDAR A ‘CONSTRUIR O CÉREBRO’ DO BEBÊ






A cirurgiã pediátrica americana Dana Suskind passou anos estudando como os pais podem estimular o cérebro do bebê


A cirurgiã pediátrica norte-americana Dra. Dana Suskind passou anos estudando sobre o desenvolvimento do cérebro dos bebês. Em suas pesquisas, a médica percebeu que entre os bebês que recebiam implantes cocleares (usados em alguns casos de surdez profunda), aqueles que desenvolviam a melhor habilidade para se comunicar eram os que moravam em lares onde existia mais conversa, interação e vocabulário variado.
Estas observações feitas pela médica, também foram notadas em um estudo de 1995. Esta pesquisa identificou que crianças com menos acesso à linguagem, muitas delas em situação de pobreza, chegavam a ouvir 30 milhões a menos de palavras acumuladas até os quatro anos de idade quando comparado a crianças em situação mais favorável.
O estudo também notou que as crianças que ouviram mais palavras se mostraram mais preparadas ao entrar na escola. Estas crianças tinham vocabulário mais rico, mais fluência na leitura e consequentemente notas mais altas.
Dana Suskind apontou em entrevista para o portal BBC algumas atitudes simples dos pais que ajudam a “construir o cérebro” dos bebês. Veja quais são a seguir:
Converse com seu bebê
Procure conversar bastante com o seu bebê. Entre todos os sons, o que o bebê mais gosta é da voz humana, especialmente a voz da mamãe! Então, fale com seu bebê sobre o que está fazendo e procure reagir aos sons, olhares e gestos do seu filho. “Se você estiver trocando a fralda dele ou pegando um ônibus, explique isso ao bebê. É uma oportunidade de enriquecer o vocabulário dele e de mostrar a relação entre um determinado som e o ato a que ele pertence”, disse Dana Suskind em entrevista ao portal da BBC.
Lembre-se: quanto mais você conversar com seu bebê, mais palavras ele irá conhecer. Conversar com o bebê não apenas estimula seu cérebro, como também estimula a fala do pequeno. Saiba mais sobre como conversar com seu bebê aqui.
Pode fazer ‘voz de bebê’ sem medo!
Suskind recomenda que os pais prestem atenção ao que está chamando a atenção do bebê e procurem fazer com que isto seja um tema de conversa. Além disso, pode investir na ‘voz de bebê’ quando for conversar com seu pequeno. “Aquela voz em tom cantado é um rico nutriente para o cérebro do bebê, porque ajuda-o a entender os sons das palavras”, explicou Suskind em entrevista ao portal da BBC.
Os bebês também tendem a preferir vozes mais fininhas e estridentes, então falar com essa vozinha com seu bebê realmente não é uma má ideia. Falar com a voz mais estridente, de forma mais lenta, exagerar em certas sílabas e abrir seus olhos e bocas mais do que o normal, o que os adultos já fazem naturalmente ao se dirigir ao bebê, é a receita ideal para atrair a atenção do bebê e alguns lindos sorrisos.
Ao ouvir você e outras pessoas falarem com ele, o bebê irá descobrir a importância da fala muito antes de entender ou repetir algumas palavras específicas. Com um mês seu bebê já é capaz de identificar vozes, mesmo que você esteja em outro quarto.
Ajude seu bebê a ter habilidades matemáticas
Você pode estimular as habilidades matemática do seu bebê com algumas atitudes bem simples. “Se você usar conceitos matemáticos e espaciais – ao, por exemplo, contar os dedos dos pés e mãos, comparar o tamanho de um triângulo, usar palavras que se refiram aos diferentes formatos dos objetos – ajudará a preparar as crianças para aprender matemática”, explicou Suskind em entrevista à BBC.
Uma pesquisa da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, pediu para que crianças de quatro anos pegassem cartões com pontos desenhados neles de forma a corresponder a um número (por exemplo: ao ouvir o número cinco, pegar o cartão com cinco pontos desenhados). E o que os pesquisadores notaram foi que as crianças que já haviam sido expostas ao vocabulário matemático e a noções espaciais conseguiam fazer essas correspondências com maior facilidade.
Elogie as boas atitudes de seu bebê
Elogios fazem muito bem para os pequenos. Portanto, procure elogiar seu pequeno e tente fazer elogios focando em determinadas atitudes/atividades que seu pequeno fez. “Ou seja, em vez de apenas dizer ‘você é muito esperta’ a uma menina que completou um quebra-cabeça difícil, vá além: ‘vi que você se esforçou para terminar, e conseguiu. Muito bem!’”, sugeriu Suskind em entrevista à BBC.
Ao dar uma bronca no seu filho é importante que os pais deixem claro que não estão descontentes com o filho, e sim com o seu comportamento. Então, nada de dizer frases como: “Você é um pestinha”, “você é um chato” ou “você nunca fica quieto”. “Ao chamar o pequeno de nomes piores, ele se transforma nisso porque é o papel que o adulto está lhe dando. Assim, quando você diz que seu filho é chato, por exemplo, ele cresce rotulado como o chato da casa”, explica a pedagoga e psicóloga Elizabeth Monteiro, autora do livro “Criando filhos em tempos difíceis”.
Nunca deixe o pequeno em dúvida sobre como os pais se sentem em relação a ele. “Devemos fortalecer os comportamentos positivos, elogiar, e ignorar a manhã, a teimosia e a birra”, diz Monteiro. Lembrando que bater nunca é a resposta na hora de educar as crianças.
Estimule a autonomia
Por fim, uma boa atitude é estimular a autonomia do seu bebê e não apenas a obediência. Em entrevista à BBCSuskind citou duas frases que podem ser ditas a uma criança em um mesmo contexto:
“Agora guarde seus brinquedos.”
“O que devemos fazer com os brinquedos depois que terminamos de brincar?”
“A primeira frase é uma ordem que deve ser cumprida, sem ser questionada. A segunda frase, no entanto, apoia a autonomia da criança. (…) Bebês de um ano cujas mães calmamente sugerem, em vez de ordenarem, regras de comportamento ganharam, aos quatro anos, mais funções executivas e autorregulação” – que são nossa capacidade de nos mantermos centrados diante de um problema, em vez de reagir de forma explosiva e violenta.
“Pais que usam a pressão e a autoridade para restringir o comportamento do filho podem obter a obediência no curto prazo, mas, no longo, estão criando condições para baixa autorregulação (da criança), produzindo adultos que podem ter sérios problemas de autocontrole”, disse a médica.
Além disso, ordens diretas e curtas como “sente”, “fique quieto” e “não faça isso” são, segundo Suskind, “o método menos eficiente de construir conexões cerebrais, porque exigem nenhuma ou pouca resposta de linguagem”.
Talvez seja mais eficiente, em vez de dizer apenas “coloque seus sapatos”, explicar o que está por trás do pedido e a relação entre causa e efeito das coisas: “É hora de ir à escola, então é bom colocar os sapatos para manter os pés secos e quentinhos. Por favor, vá buscá-los”.








VERSO EM PROSA ____________________ 520






kevin sloan




Amores de menina têm encontros na esquina, purpurina e serpentina. Coraçõezinhos em papeizinhos formando casaizinhos.

Amores de juventude são como um ponto no espaço, com altitude e longitude. 

Amor de maturidade, quando vem,  é regaço com quietude e plenitude. Probabilidade em qualquer idade, de ser fazer um ninho, e dele alçar voo como passarinho, cruzar um meridiano e chegar a qualquer ponto cartesiano.




sexta-feira, 15 de setembro de 2017





‘UM OLHAR SOBRE O COMPORTAMENTO HUMANO’
40 – UM OLHAR









UM – o meu.

OLHAR – não acadêmico, leigo mesmo, de um observador, despretensioso de julgamento, apenas interessado em demonstrar a minha opinião, no grau de entendimento em que se encontra a minha compreensão. Como para 'sondar' a mim mesma, saber como penso e assim poder conhecer, analisar e reformular minhas próprias conclusões sobre o que vejo e sinto.  Revolver velhas crenças. 

SOBRE - os fatos pelos quais passei ou presenciei,  do pouco que vi, ouvi e apreendi da vida.

O COMPORTAMENTO -  sobretudo o meu,  sobre os sentimentos envolvidos - primeiramente os meus, ... em relação aos fatos e situações.

HUMANO – o que nos é mais comum – a reação - para só então, aprendermos a agir perante os acontecimentos, de uma maneira mais assertiva se necessário, mais madura e equilibrada, numa sequência de tentativa e erro, até chegar ao mais acertado. Tentar entender o que está por trás de um comportamento (inclusive o meu), tentar estar a dois passos à frente, para melhor lidar com a situação. Como num jogo de xadrez, onde uma jogada pode nos parecer a correta, mas pode esconder a eminência da derrota - a perda do jogo.








MIL FACES _________________________ 519










Um espelho partido
quebra o que era rígido
... e o que é sabido!

Mil cacos de verdade
mostrarão ambiguidade.
Depende de acuidade
se chegar à realidade!
Aceitar com humildade
retornar à unidade
pra manter a integridade
e não perder a sanidade!