quarta-feira, 16 de dezembro de 2020



Pensamiento de hoy ... 16/12/20 ... EL AIRE AZUL

Que la luz del gran sol ilumine mis rincones oscuros.  

Que la razón, vaya siempre de la mano del discernimiento.  

Que las piernas del coraje crezcan y me lleven adelante y arriba.

Que la madre naturaleza entre en mi naturaleza y la limpie, dándole equilibrio, trayendo curación a mi cuerpo y libertad a mi alma.

Que la espuma del entendimiento disuelva alguna angustia o conmócion.

Que mis certezas se alimenten de cosas buenas.

Que el buen sentimiento ablande mi palabra y la haga inspiradora.

Que mi corazón se proyecte más allá de mi pecho, porque mi humanidad me hace igual al otro.

¡Que yo puedo, agradecido por todo lo que recibo, mirar al cielo y ver más que nubes, más que aire azul!



arte | christian schloe

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020


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SEM PERMISSÃO

14/12/20

Amei-te primeiro com o coração, que vazio de atenção, viu que chegavas de mansinho, com tuas palavras e gestos; mas ele inocente, não se apercebeu do que lhe acontecia - tu te acomodavas dentro.  Talvez despretensioso, não fazias por mal, mas acabou fazendo-me um enorme bem.  Não houve anúncio e nenhuma introdução.

Um dia, vi olhos perturbadores e não reconheci de pronto, que eram os teus.  Quando me dei conta, meu coração deu uma cambalhota, me avisando que estava vivo ... e ele não foi o único músculo a se descontrolar espontaneamente, porque meu rosto descontraiu-se num sorriso, incapaz de esconder.  Procurei a explicação ... então percebi que te amei com os olhos. 

Na sequência, reviraram-se, o meu estômago e o meu sossego e as minhas emoções, havia todo um rebuliço se dando, sem esperar pela minha permissão ... então percebi que já amava com as entranhas. 

Desde esse dia, não restou dúvida e guardo para mim esta descoberta.  Amo-te com o coração, com os olhos, a boca, o sentimento e toda a minha essência, como se te amasse desde outra vida, e que esta, é apenas reencontro. 

Posso ver-te claramente, sobre uma biga dourada, em movimento, todo paramentado e com as rédeas na mão, a pele morena contra o vento é fustigada pela nuvem de areia que se levantava, debaixo do sol causticante, do enigmático Egito Antigo - imediatamente, reconheci, de onde nos conhecemos.

Passei a padecer de um mal, que não tenho como evitar.  A tua ausência me fere e temo, fazer pesar sobre ti, o meu afeto, por isso me calo. Tornei-me pedinte, a espera de uma palavra, um gesto, um olhar, uma alegria, qualquer coisa que mantenha vivo este coração, que se mostrou sem porteira, sem preconceito e sem idade.


arte | rafal olbinski


domingo, 13 de dezembro de 2020




Pensamiento de hoy ... 13/12/20 ... LAS AGUAS

Hasta que pudiera mantener,  me quedé fuerte.  Después, que se hizo imposible sostener, ellas rompieron las compuertas hechas para contener la fuerza y ​​el peso absurdo que su cantidad ejercía sobre las barreras del concreto. 

Las aguas bajaron por el relieve del terreno, arrastrando tierra y vegetación, abriendo grietas en el drenaje de su furor, como si estuvieran sangrando la vida misma, que ahora fluye, y como las aguas, que fertilizan los campos, mis aguas también llevan vida por donde pasan.



sábado, 12 de dezembro de 2020

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SEJA QUAL SEJA

12/12/20

Sofro de palavras presas, que estalam nos meus ouvidos, o tempo todo.  Por não permitir soltá-las, entalam na minha garganta e fogem para o papel. Coleciono e guardo, até certo momento, pensamentos em efervescência ... que me obrigam a dar voz ao sujeito, e pessoa ao verbo, e muitos e muitos complementos ... quando não aceitam mais, ficar retidos na oficina, a espera da próxima edição.  Os gases emitidos pela minha elucubração mental, se escapam junto com os pensamentos, fazendo-os ficar mais revoltosos e ácidos.

Nada se fecha definitivamente, nenhuma questão. Mesmo depois de dito ou escrito, tenho sempre adendos, observações e emendas, a serem mencionados - no geral, de total importância e poucas vezes sem.  

Se tudo o que procuro, também está a me procurar ... um dia, hei de encontrar ou ser encontrada!

De vez em quando, deixo o sujeito prosseguir indeterminado, segurando o suspense. Quando é minha intenção, ele permanece oculto. O verbo, vai sempre no modo que me é mais enfático.  Os complementos, ah! os complementos! - os meus preferidos - abuso deles quando acho que posso e devo.

Dissimulo um pouco, quando não posso me declarar, mas eu conto com a perspicácia do entendedor, embora me recuse a usar meias palavras.

Repetições são propositais, como também a omissão de detalhes, se quiser implantar a 'pulga'.  A redundância, pode parecer uma afronta, mas é milimetricamente planejada, para obter o efeito desejado.  Minha intenção é única, me fazer entender quando quero ou desentender, quando é exatamente o que pretendo.  Juro que digo a verdade, a minha verdade, relativa, aumento um ou dois pontos em cada conto; mas às vezes, digo a verdade verdadeira, mesmo doída ou doida, sem tirar nem por.

Na oficina não há folga, domingo, doença, cansaço ou luto, que me faça desligar as máquinas, fechar as portas e encerrar o expediente.  Chega a ser tortura, o que fazem comigo. Começam aplicando-me a tortura brasileira, mas quando veem que não conseguem seu intuito, apelam à violência e empregam a tortura 'chinesa' (que só conhecia por nome, até agora) ... mas em se tratando de tortura, acho que sou alvo de todas elas, de todas as nacionalidades e espécies.

Costumo usar uma expressão, para descrever as coisas que me acontecem, involuntárias à minha vontade: como me ver submetida ao 'massacre da serra elétrica sem a serra'.  É assim que me sinto, sob o barulho e o furor de uma lâmina imaginária.

Não acredito que seja comum a todas as pessoas, esse 'desgaste de fosfato', esse 'quase regime de escravidão', que não dá descanso nunca, nem à noite, nem às horas mais absurdas.  

Concluo afinal, de que além de presas, as palavras são rebeldes, pois nunca obedecem a minha ordem, de se calarem, ao menos por um tempo - até que eu me levante, até que tenha em mãos um teclado, uma caneta e papel.  Elas me encurralam a um canto da oficina e começam a ditar, a falarem todas ao mesmo tempo,  sobrepondo-se umas às outras, sempre no imperativo, como se elas fossem minhas donas e não o contrário.

Seja qual seja, o assunto ou tema, interessa e diz respeito primeiro a mim mesma, embora não raramente, não seja de interesse de outras pessoas.  Sem dúvida, quando falo ou escrevo, é sobre meus conteúdos, são minhas considerações, de minhas observações, sobre os fatos comuns ou não, do dia a dia.

As palavras, eu as considero como minhas filhas.  Os pensamentos, como meus filhos.  Acredito aqui, de minha parte, haver uma falha de educação e uma clara falta de posicionamento, quanto à minha autoridade.  Porque afinal, eu devo coordenar minhas ideias  e não me deixar controlar por elas.



sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

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ENTRE O PRESENTE E O FUTURO
11/12/20

Quando eu ouço aquela música, que não era nossa, mas que elegi como sendo ... eu sinto cada dedo, que toca as teclas do piano, tocando no meu coração, como se ele também tivesse cordas. Cada som saído do sax, insufla nele, mais ar ... e doí ... para depois deixá-lo vazio, sem dor alguma.  Eu sinto meus pontos nevrálgicos todos à flor da pele, exalo nostalgia pelos poros.

Aos poucos, a melodia vai me levando, para um lugar em que eu não encaixo mais, porque é passado; para depois me arremessar, com força, a um canto obscuro, onde estou só - algo entre o presente e o futuro.  Me dá ganas, de não querer mais escutá-la ou de maldizer o dia em que me tonei assim, suscetível à faltas de ar e arroubos de tristeza persistente. 

Mas quando passa a dor e raciocino melhor, vejo que a vida não teria sido viva ... Mil vezes chorar pelo que perdi, do que por nunca ter tido, ou nunca ter rido solto, do jeito que ri.  Não sei se quero, ou se não quero continuar nessa, quando lembro de nós, ou melhor de nós - sem você, de nós - só comigo, por mais que pense a respeito, eu me vejo numa sinuca de bico - sem taco e sem bola, num mato sem cachorro e sem mato algum ... talvez sendo o próprio cachorro! 

Em pensar, que tive você dentro do meu peito!  E depois, vi você se afastando de mim, cada vez mais, levando uma parte, que agora me faz tanta falta! Experimento uma profunda sensação de leito vazio!

Ninguém muda o passado. Não enxergamos onde pisamos e às vezes, pisamos em solo movediço, sem nos darmos conta ... e pela euforia do encontro, avançamos por território perigoso. No entanto, não há como não voltar atrás; como voltar atrás sem afundar; nem como seguir em frente, no esquecimento.  Porque há alguns fatos que dividem as águas, a linha do tempo, a certeza e a nossa esperança.

Cada vez mais reconheço em mim, um certo masoquismo: de reviver os momentos bons e forçosamente, exumar os tristes - pois não há como separá-los ... Por isso e nem por nada deste mundo, abriria mão de ter vivido o que vivi.




https://www.youtube.com/watch?v=EnVrYh_fwZg


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TUDO AO MAR 

11/12/20 


Para sempre, ficarão as más águas

muito bem guardadas e que acabarão 

por se diluírem nos sais do mar ...

porque afinal, tudo a ele converge.

Junto com outros sedimentos 

darão origem às novas rochas.

Dentro das profundezas verdes 

estarão quietas por um tempo 

até que desapareçam por completo 

e se tornem uma outra coisa.  

No silêncio e na mansidão 

enquanto esse mistério se dá 

ninguém suspeitará de nada 

nem da dor, nem da força 

nem do custo que se pede ...

Pois à superfície, seus olhos 

permanecem serenos, como o alto mar ... 

e como ele, escondem a real profundidade

e o insuspeitável milagre que operam!



arte | christian schloe

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

1271




COMO NASCEM OS FILÓSOFOS

10/12/20


Dia desses, conversando com um amigo, de uma forma informal,  nos pusemos a filosofar.  Conversa boa, que preste ... é assim: dá resultado, se chega a um denominador comum.

O assunto, um tanto abstrato ... era sobre jogar pedras nos outros: sobre devolver as que nos jogaram e arremessar as de nossa própria pedreira.

A minha fala foi bem indeterminada:  'tem muita pedra sendo arremessada por aí'.

Esse amigo, confessou que andava com certo receio - de que apesar de guardar muitas pedras suas, numa sacola, não as estava usando todas - e começava a se achar 'um tanto mole' ... ainda acrescentou uma pérola: 'na vida não se pode ser tão duro que machuque a todos, e nem tão mole que um furação te quebre!'

Na sequência, eu disse: 'é difícil saber qual é o limite ... são as próprias situações que nos jogam de um lado pro outro ... quando a gente se vê num extremo, procuramos o equilíbrio, automaticamente, buscando o outro lado ... não tem como ser diferente ... experimentamos os dois polos.'

Então ele me disse: 'ou senta e chora, ou vai pra luta'.

Eu respondi: 'rindo e chorando ... indo pra trincheira e indo pro fronte'.

Eu acredito nisso - que como seres, que ainda precisam de limites extremos para nos mantermos no caminho do meio, vamos assim bambeando de um lado para o outro.  

Agora, construindo a frase na primeira pessoa, eu me posiciono: por enquanto, ainda, eu não conheço outro método de me conservar na tentativa de fazer a coisa certa: não ferir a ninguém, nem me deixar ferir.  Quem sabe um dia, eu consiga me utilizar de objetos mais leves ou de coisas mais inteligentes, argumentos mais amorosos e menos racionais.

Nesse meu estágio de evolução, as pedras ainda me são muito úteis.  



arte | brendda lima