quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

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'COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ'

09/12/20

A paixão deu-me asas, de me levar às alturas.  Eu fui subindo, no êxtase de me ver alado, apaixonado e amado.  Não pensei na descida, mas sabia, que tudo que sobe, é forçoso que uma hora desça.  Não tinha um plano 'b'; ou uma rede que amparasse a queda certa; nem sequer uma boia, caso caísse no oceano conturbado das minhas emoções.  Nada!  Caí, e caí feio, as asas eram de cera, o meu lugar não era 'o alto' e eu sou feito de carne e osso.

Ai de mim ... não por ter perdido as asas, mas por não sentir mais o êxtase de voar e a doce esperança de ser acompanhado no voo.

Certas pessoas são assim ... apaixonantes! ... e eu, apaixonável, me deixei apaixonar, imprevidente e bobo, 'como se não houvesse amanhã'!  Sempre há ... e ele nos cobra seu preço justo!  São dois trabalhos: me apaixonar, para depois me desapaixonar ... será?

Hoje, já é o amanhã, não sou mais um ser alado, sou uma mariposa grande, que encantada com a luz, perdeu a cabeça, as asas ... e agora se arrasta pesada sobre o chão, rodopiante e desesperada, sem sair do lugar.


arte | agnes cecile



terça-feira, 8 de dezembro de 2020


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DAS RAÍZES À SOMBRA

08/12/20

Finalmente, dancei aquela música que eu tanto queria, de rosto colado e na melhor das companhias.  A noite esteve amena e iluminada pela lua, podia-se sentir o perfume das flores noturnas, misturadas ao seu, ao meu ... mas não feriam o olfato, ao contrário, criavam uma atmosfera de intenso prazer.  O ar era macio e o tempo parecia não estar sendo marcado.

Não houve uma só noite, em que o sol se pôs sobre um desentendimento. Não teve uma manhã que fosse regada de humor azedo.  Se porventura, algo não esteve de acordo, ou não saiu como esperávamos, não fez a menor diferença.  O bom humor, a paciência suplantaram o contratempo, que sempre foi pequeno - porque encontramos maneiras de remediar, o que pôde ter parecido irremediável.  Teve sempre, uns minutos antes do estouro, uns minutos antes de uma palavra mais ríspida - decisivos para estabelecer o contato aberto e maduro, para a construção de uma convivência gostosa e tranquila.

Pudemos ir às festas, exultantes, desde o convite até o seu término.  Fizemos aquela viagem, para um lugar magnífico, e tudo transcorreu  na maior harmonia, desde a viagem de ida, até a curtição das fotos tiradas. 

Por haver um sentimento de respeito para com as diferenças, foi possível a camaradagem, entre pessoas que acreditam no diálogo, que determinadas, a alimentar o amor, de vê-lo crescer como árvore frondosa, com muitos frutos e com sombra agradável de se deitar sob ela - provamos que isso não é feito inconcebível, basta querer e dedicação.  Prova viva à posteridade: de que esse sentimento, é mais comportamento do que qualquer outra coisa, que o quanto ele cresce para cima, deve crescer também para baixo, nas raízes que o sustentam.





segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

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DE TODAS AS HORAS
07/12/20

És meu primeiro pensamento, quando abro meus olhos, na manhã.  És meu último desejo, quando os fecho, antes de dormir.  Povoas os meus sonhos, esporádicos e certos.  Invades os meus desejos à luz do dia.  É eventual e quase inevitável, que as coisas se invertam: que os desejos se estendam às horas claras - à vigília ... e tuas invasões não respeitem as horas escuras e fechadas. 

Eu te asseguro, que haveria espaço em mim, para outros pensamentos e outros desejos; salvo ... quando não estivesses a colonizar o território dos meus sonhos e nem a dominar a clara realidade dos meus olhos ... mas é preciso confessar, que não deixas sobrar muito espaço para isso - pois fazes-te de estrangeiro em conterrâneo, conhecedor de todo o país.

Estou por minha conta e risco, porque as convenções não invalidam os sentimentos, nem tampouco, estes se intimidam por elas.





domingo, 6 de dezembro de 2020

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UM OLHAR SOBRE O COMPORTAMENTO HUMANO

SALTOS, DANÇAS E ALINHAVOS

06/12/20


Só nos apercebendo, do lugar onde estamos agora, é que entenderemos o que houve ... e porquê houve.  Durante a nossa trajetória, muitas coisas aconteceram - não esperadas, e que vão além, das que gostaríamos que nos acontecessem.  Nos sentimos como quem, atirou no que viu e acertou no que não viu ... a frustração e o desencorajamento, são quase que inevitáveis, pelo menos, por algum período de tempo, necessário à reflexão e à conscientização, de que o melhor, foi feito.  Afinal, hoje somos o que somos, justamente por termos passado por tudo que passamos, que um bolo se faz com vários ingredientes.

Resta-nos uma interrogação: sobre qual a necessidade de ter sido como foi, diferente do planejamento, porque a razão da razão, tende a ser muito controladora.  Não entendemos o por quê dos 'petelecos' que a vida nos dá, às vezes, verdadeiras 'bicas', que nos fazem perder o rumo.

Num esforço descomunal, bem além das nossas forças e entendimento,  tentamos direcionar o rumo dos acontecimentos, dentro da trilha mais rápida e menos íngreme, desprendendo energia num feito impossível de ser obtido.  

Custamos a entender que esse controle, nós nunca tivemos, e que talvez o único possível de termos, é a nossa reação diante dessas surpresas, que nos assaltam como ladrões. Levam de nós, nossas pretensas riquezas, nossas intenções, nossos sossegos; nos afastando do caminho traçado, nos arremessando a outros, desconhecidos e pedregosos.

Coloquei a questão, na terceira pessoa do plural, porque enfim, trata-se aqui, do meu olhar sobre o comportamento humano, fruto de minha observação, mas redirecionando-a, trago-a para mim ... e darei a resposta na primeira pessoa.

Fica então, um aprendizado: de que devo me dedicar na construção do melhor, mas também, é preciso despender uma certa dose de humildade, para a resignação, para a possibilidade de me deparar com o pior e aceitá-lo, mesmo que para isso, eu precise de um tempo maior. 

Não sei qual será a duração desse período de transfiguração do fato: até que ele seja digerido; até que convença a expectativa frustrada; até que a dor aguda seja amenizada ou até que a ferida crie casca.  

A vida é um salto no espaço, sem a certeza de haver uma rede debaixo de nós.  É uma dança sem coreografia certa, sem músicas determinadas.  É uma linha que se faz aos poucos, um alinhavo que fazemos no passo a passo, e que só se torna preenchida totalmente, quando olhamos para trás.



sábado, 5 de dezembro de 2020

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YO, CUANDO
05/12/20

Casi olvido que soy un hombre

cuando se ponen de pie, mi pelo de hombre lobo.

Cuando amanece y el mar aún retrocede ...

y yo, como un lobo, me sorprendo aullando a la luna!



sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

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A MELHOR PARTE

04/12/20




Tu me ensinaste o real tamanho da palavra amar. Foste letreando, uma a uma, de uma maneira simples, dando tempo para que eu pudesse captar e entender ... (como criança que re_conhece o alfabeto) ... mostrou-me o quanto cabe em cada uma de suas letras ... e que a palavra a-m-a-r ... não é feita só de quatro.
Além da grafia e muito além do som de cada uma, agora sei, são quatro símbolos representativos, com espaço suficiente de conter dentro de cada um, inúmeros sentimentos. Isso é coisa que se carrega de pai e mãe ou de uma vida de muitos aprendizados e faltas. Sobretudo, só pode ser fruto de um coração receptor de todos as emoções, mas que escolhe distribuir a melhor parte de si.
Se tivestes soletrado a palavra, simplesmente, ela estaria desfeita em partes, assim que te afastasses de mim. Exemplificando-a, vivendo-a, foi assim que me convenceu, com gestos e ações ... a juntar para sempre, todas as letrinhas.
Dentro do primeiro A, pode-se colocar qualquer coisa alegre: o acolhimento incondicional, a aceitação isenta de todo julgamento, o próprio altruísmo e outras tantas generosidades, quantas quiser!
No M, pode-se incluir o mar, com toda a sua imensidão, a capacidade de encantar, renovar e curar. Cabem a maciez de todo carinho, a empatia e compaixão; enfim, o que for passível de inspirar esperança.
No segundo A, entra tudo aquilo de bom, que foi esquecido de ser mencionado no primeiro A: como a palavra que aquece ou refresca ... de acordo com a necessidade; inclusos estão os toques suaves de mãos, de lábios, de abraços ... que antes tocam a alma. Na entrega de si mesmo por puro desprendimento, o segundo A, se reforça em amor vivo.
No R, temos a certeza do respeito ... condição primeira, a riqueza de poder contar com o riso dividido e a leveza do que fica ... porque o que era pesado, foi-se. Deixa apenas, a resignação ao que não pôde ser levado ... e que deve ser aceito.
A proximidade de dois corações, rentes, dando a impressão de que um, chega a entrar dentro do outro ... espanta o medo da solidão. E dessa confusão de espaços comuns e sentimentos bons, cria-se o terreno fofo e fértil, de se plantar a semente da gratidão.
Pude aprender contigo, o verdadeiro tamanho, que a palavra amar pode alcançar ... em consequência ... posso vislumbrar o significado incontestável que ela tem!


letreando - soletrando devagar  (aqui tem o sentido de dar tempo para ser compreendido)

terça-feira, 1 de dezembro de 2020


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DESDE SEMPRE

01/12/20

... houve!  Não do jeito que hoje é, mas de uma forma ainda desorientada, escapando aos sentidos, obediente a um propósito oculto e inteligente - como a gema encrustada nas entranhas da pedra bruta ... se faz de silêncio, longe do valor monetário, até que as mãos do explorador a traga à superfície e à sua própria revelação. 

Como o ser abissal, embora desprovido de olhos, intui em si, a perfeita noção de claridade ... foi se fazendo aos poucos, de era em era, desde os primórdios da criação, até atingir a luz, que tudo mostra, para então, descobrir-se feito de sentimento, muito mais do que de razão.