segunda-feira, 12 de outubro de 2020

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UM OLHAR SOBRE O COMPORTAMENTO HUMANO

OS DOIS ALFABETOS

12/10/20



Quando nascemos, desconhecemos qualquer um.  Aprendemos primeiro, os sons, imitando os adultos, na ânsia de nos comunicarmos com o mundo à nossa volta, balbuciamos as palavras, e aos poucos alcançamos o domínio da linguagem.

Junto com as palavras, aprendemos também, os sinais que as acompanham, de emoções, sentimentos - a forma como falar - para obtermos o que desejamos.  Isso também se dá por imitação, desde cedo, somos manipulados e aprendemos a manipular, de acordo com o objetivo que queremos atingir.

Mais tarde, mais crescidos, vamos à escola, para sermos alfabetizados, mas a comunicação já foi estabelecida há muito tempo, de acordo com o meio e as vivências que tivemos.  É na escola que temos o contato com o alfabeto que nos permite escrever e ler, a linguagem, a qual já fomos apresentados, em termos das 'palavras' que usamos.  .

Qualquer correção, com relação a troca de letras, ou equivoco na linguagem usada, em representação gráfica ou de fonemas, tem a chance de ser corrigida, na alfabetização escolar.

O mesmo, não podemos dizer, a respeito do alfabeto emocional, que tende a permanecer idêntico, aquele que aprendemos, desde as primeiras interações com nossos familiares.  A 'forma' como nos expressamos - como dizemos as palavras - obedece à uma formatação apreendida, por observação, segundo o que presenciamos desde tenra idade, com tendência a ser repetida.  

Vemos por experiência, que certos comportamentos abusivos, doentios e insanos, estragam e até inviabilizam os relacionamentos.  Tudo porque, não existe escola que ensine o alfabeto emocional, e ao contrário da linguagem falada por sons - a linguagem gestual e comportamental - não é passível de ser corrigida.  Só depois de muitas perdas e distúrbios instalados, é que a pessoa se apercebe, de quanto está equivocada, quanto à maneira de se relacionar, que engloba manipulação, controle, imposição, comparação ... e desqualificação, intimidação, retaliação,  quando tudo isso não surte efeito desejado.  Tais  práticas são danosas, nem sempre funcionam e frustram as expectativas de construir um relacionamento saudável.  

Corrigir dinâmicas tóxicas, é algo que requer um certo grau de inteligência, pois é preciso, que se reconheça as perdas, em primeiro lugar.  Outros requisitos necessários - vontade e coragem - para remexer velhos padrões e nem sempre encontrar coisas gostosas de serem 'vistas' ou 'cheiradas'.  

Sobretudo é necessário, muita determinação, para modificar o que já se encontra cristalizado em nós; e humildade, para admitir, que estivemos equivocados até agora.






domingo, 11 de outubro de 2020

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CICLO E CÍRCULO / A COBRA E A BARATA

11/10/20




Nasço, vivo e morro, dentro de um pensamento; para renascer no outro seguinte, recomeçando o ciclo, sem sair de dentro do círculo.

Como a cobra atrás de seu rabo, é sempre o mesmo caminho, sigo a linha redonda, que vai dar no mesmo lugar - acabo por abocanhar o meu próprio rabo.  Ando, ando e chego sempre ao mesmo ponto - o de partida, que também é o de chegada.  Qualquer que seja a minha direção, não saio de dentro dos limites que eu mesmo traço.  Parece um comportamento insano, de quem tem pouco, ou nenhum juízo, mas é assim que acontece - personifico a 'barata tonta'.  

Por não enxergar um traçado diferente, a ser preenchido pelos meus passos, vou andando pelos mesmos, meus velhos conhecidos, calejando os pés e gastando os caminhos.  





sábado, 10 de outubro de 2020

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IMPERFEITA E RELATIVA

10/10/20




Eu te peço, tenhas cuidado ao pisares o chão.  Meus sonhos estão sobre ele, acima dele, ao redor dele, porque juntamos os nossos caminhos num só.  E não só, os sonhos, agora estão sendo partilhados. Nossas histórias distintas - se fossem matéria - eu diria, que se diluíram os componentes, que entraram em fusão e formaram uma outra, diferente das anteriores, em constituição, trajetória e objetivo.  

Amor, não te posso exigir; mas respeito? ... isso sim! ... devo e vou!  Se não quiseres ver o amor caído ao chão, é preciso mãos dadas , caminhar lado a lado, como dupla coesa, robusta e poderosa.  Acredito que é dessa união, que poderemos alcançar, a perfeição do amor, ainda que imperfeita e relativa.



sexta-feira, 9 de outubro de 2020

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MISÉRIAS E RIQUEZAS

09/10/20



Quando eu falo, falo de mim, das minhas misérias e mazelas.  E quando falo, falo primeiro, a mim mesmo; me obrigo a pensar sobre minhas possíveis saídas; é quando sou forçado a garimpar as minhas riquezas, ocultas e perdidas, dentro do cascalho da jazida desconhecida; porque só eu tenho acesso e permissão de fazê-lo.  

Quando falo da minha miséria, é inevitável que fale da minha riqueza, porque ao ser impelido a desenterrá-la, dos meus confins, na ânsia de obter a solução, coisa que só cabe a mim descobrir - me deparo com o seu brilho e valor, e uma vez vinda à luz, é impossível enterrá-la novamente.

AOS OLHOS QUE LEEM

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AOS OLHOS QUE LEEM
09/10/20





Uma vaga tristeza dançava em seu olhar, de um canto a outro, tentava não ser notada, fingindo-se de alegre, artificiosa, soando falsa.  Era turva e sem jeito.  Não se deixava analisar, tampouco passava despercebida.

Mancomunado com ela, um sorriso caricato, às vezes, exprimia as bochechas, em direção às orelhas; mas não convenciam, nem um nem outro, atingiam tal propósito.

Mais triste que a pura tristeza, era aquela tentativa infrutífera, de arrancar, sabe lá de onde, do fundo das doces lembranças, algo capaz de convencer do contrário,  sem dúvida - um esforço inútil e dispensável, aos olhos que leem.


quarta-feira, 7 de outubro de 2020

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PRESENTE E VIVO

07/10/20





Ela encostou a porta, pedindo respeito e privacidade, como sinal, de que colocava um limite físico para as ofensas.  Ele, mesmo indignado com a porta fechada, passou a chave e trancou, determinando para sempre, que aquilo fora uma afronta.  Nunca se perguntou sobre o por quê! 


Dizem que o amor a tudo suporta.  Verdade e mentira.  Ele suporta a fome de pão, mas não sobrevive à fome de atenção.  Ele é capaz de enfrentar os mais duros pedaços, mas não consegue transpor um obstáculo sequer, sozinho.  Ele suporta longos períodos de distância, mas nem um tempo, isolado e esquecido.

A natureza do amor ainda é humana: ele precisa ser alimentado, aguado, reconhecido e em primeiro lugar - necessita saber-se, digno de respeito.  Como sentimento que ainda é, ele não se entende como 'gente', se não conseguir sentir, dentro dele mesmo, isso tudo.  

Infelizmente, quando as pessoas recebem o mesmo tratamento que dispensam aos outros, não o aceitam - porque não há dor, para quem aplica o golpe - só o ser atingido, é que se sente o verdadeiro peso da medida.  É comum, o perpetrador das críticas mais mordazes, não aguentar nem um 'pequeno arranhãozinho', que ameace embaçar o verniz de sua imagem .. e aqui, a redundância é proposital.

Assim se dá com a plantinha, que cresce entendendo, que virão dias quentes e frios, chuvas e ventos, mas que suas raízes a manterão firme ao solo, fortes e determinadas. O mesmo com o animalzinho, que desconhece o conforto, mas sabe - ser amado por seu dono - e se sente seguro, de que este, tudo fará para protegê-lo.

Enquanto o amor for apenas humano, enquanto não adquirir características de 'sobre humanidade', ele se ressentirá, de não poder mais ser 'sentido', na plenitude que conhece ... e nostálgico, verá sempre um buraco vazio, onde antes, ele lá esteve, presente e vivo.  



segunda-feira, 5 de outubro de 2020

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O CISCO DO PENDURICALHO

05/10/20



Da minha janela, assisto girar o mundo.

À cabeça sobe, sentimento controverso

ao corpo desce, pensamento infecundo:

o que sou?  nesse oceano, submerso?


Se eu nem saio da janela, talvez quem gira

seja o outro mundo lá fora, e eu aqui na beira

tenho leve consciência, de que algo acontece ...

Se fixo no movimento, minha cabeça entontece.


Gira o meu mundo, no universo - como penduricalho.

E eu? um certo tipo seu, de espantalho ou borralho!

Sou um cisco, preso ao penduricalho suspenso!

Eu, um cisco, que penso e me repenso:

sobre o destino do ser, que de mim transcende

e onde fica o fio, que ao penduricalho suspende!