sábado, 4 de janeiro de 2020
594 | É, EU SOU | 05/01/18
Eu tenho apenas um, um único dono
e é justo que lhe perturbe o sono!
Eu, tentando livrar-me do cárcere
grito um pedido, ao qual indefere!
Cercou-me de um grande fosso
manteve a ponte levadiça, erguida.
Emparedou-me dentro de um colosso
deu-me uma vida longa e lânguida!
Se mais de um dono eu tivesse
quem sabe, me abstivesse ...
da tortura da solidão ...
e de prisão em prisão
eu ainda estaria são!
Às vezes, sinto-me só
com medo de retornar ao pó
aquele mesmo de onde vim
e ter que comer pela raiz o capim!
Acho que me levará com ele ...
Farei, que na sua cabeça martele
meu brado forte de liberdade!
Tentei convencê-lo da nulidade
de guardar-me à posteridade!
Porque o tempo expele a verdade!
Irei, mas não sem antes atestar
justificar e bem claro deixar
que tive uma identidade!
A sua vida, de mim dependeu
... foi mais prisioneiro que eu!
ass. o segredo
861 | FACA CEGA | 05/01/19
Na certa, nem se suspeite ...
detrás do riso como enfeite
tem a dor que se carrega
furando feito faca cega ...
tentando fazer um corte
pra levar direto à morte ...
não corta e nem mata
não desiste, não desata!
Ela é falseta e maneta:
traz 5 dedos tão compridos!
Falange, falanginha, falangeta
tem ainda, um quarto pedacinho.
Dos bons termos proferidos
ao discurso bem lisinho ...
embora nem sempre transpareça
há quem logo a reconheça.
328 | LA CIUDAD QUE DUERME | 03/01/17
El mozo y la jovencita se encantaron uno con el otro, bajo la luna y de las estrellas.
Los viejos, los niños, todos vivieron la misma alegria.
La noche estaba caliente junto al fuego, y fresca por la brisa que soplaba desde los árboles, como pueden haber sido las dos cosas al mismo tiempo? Sí se puede!
Ahora la ciudad duerme, es fantasma. Sólo los pájaros y los animales prendidos al suelo es que se manifiestan despertados.
327 | DANCE | 03/01/17
Se a vida lhe sorrir, não faça de conta que não é com você! Se ela lhe puxar pela mão à uma pista de dança, não resista, entregue-se à diversão até transpirar, vá à exaustão. É o que nos fortalece.
Momentos virão em que ela vai lhe virar o rosto, como se fossem desconhecidos. Nem vai querer saber de você, nem de seus sentimentos.
Se você forçar encará-la, não vai gostar da sua carantonha ... e por mais que tente, não vai conseguir desenhar um riso na cara dela!
326 | INCONSCIÊNCIA E CONSCIÊNCIA | 03/01/17
Acordo desperta e submersa nas águas do passado. Procurando uma saída – uma passagem – que me leve direto ao futuro. Mas não há! Se insistir nesse intento vou sucumbir, anônima e sepultada no fundo do oceano.
Tenho então, os meus primeiros vislumbres. Minha inconsciência se dissolve como névoa. Foi preciso que eu descesse até ela!
O que existe de verdade é uma única ilha – um único pedaço de terra firme – onde a relva se renova, chamado hoje. Onde devo fixar residência ... lugar onde me dessedento, pois só lá nascem as águas doces, capazes disso. Só lá é que cresce o alimento que me refaz, pra onde devo voltar e permanecer, um local a céu aberto.
Só assim, refeita de fôlego, consciência e forças, posso cogitar de um novo mergulho – do hoje (aliás único ponto de partida possível ) - em direção ao futuro!
foto | Jesus submerso da Ilha de Malta
860 | FOGOS, BOLHAS E BALÕES | 03/01/19
Os fogos de artifício estouram nos céus, em várias formas; de nitratos, cloretos, carbonatos e outros elementos: em azul, amarelo, verde, vermelho, púrpura, branco, prata e ouro - desde que o homem aprendeu a dominar, usar e adorar o fogo.
O barulho fere os tímpanos, parecendo que reverbera sobre as bolhas do plástico, que explodem o ar comprimido de dentro de suas cápsulas. Forçado a romper seu espaço finito, é expelido e leva consigo, algo mais que o simples ar, até que o plástico se transforme em um monte de lixo imprestável.
Junto com os fogos, sobem também, muitos pedidos, como se fossem balões brancos de gaz, simbolizando desejos. Lanternas a iluminarem os céus, espermatozoides em busca da fecundação!
Sabemos que alguns serão atendidos, outros porém, serão indeferidos. Há os que ficarão presos nos galhos das árvores mais altas. Há aqueles também, que sem força de subir até o alto, serão levados pelo vento, a uma outra direção.
arte | christian schloe
859 | ENTRE O MEDO E A BUSCA | 03/01/19
Quando passo alguns períodos sem escrever nada, sem ter uma única ideia que preste, eu me preocupo com minha eloquência mental, que de costume não cabe na cabeça e precisa ganhar registro.
Eu me faço sempre a mesma pergunta: se algum dia, terei esgotado as minhas palavras, todas, e sem mais nada a dizer, terei me calado, em definitivo.
Essa ideia me assusta, mas não tanto, como a de querer dizer e não conseguir fazê-lo, pelas mãos que não me obedeçam, ou por outra capacidade que me falte, esse é - o medo que realmente me assombra: sentir e não poder expressar o sentimento.
Como já andei mais rápido do que ando hoje, como já pensei mais descontrolado do que penso agora, acho que em algum momento, eu vou diminuir a quantidade das palavras, enxugar em números, mas ainda assim falarei, com mais propriedade, juízo e clareza - eu espero!
Por estar a todo instante, a soprar e a dar forma, com a minha boca, submetendo ao rigor do fogo, o recipiente de vidro que me contém, a moldar e re_moldar um espaço confortável, em que eu possa habitar, permanecerei na contínua busca da perfeição, 'daquela' que me é dado e permitido conquistar.
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