sábado, 6 de abril de 2019

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QUE TAL UM CAFÉ?

É apenas um pretexto, uma desculpa, uma deixa, que se espera ouvir, para a aproximação dos corações amigos, no encontro.

Combinado um café, mas nem sempre o tomamos.  No meio do caminho, podemos mudar de ideia e preferimos um chá, ou alguma coisa mais fria.

Não importa o local, a bebida, a mesa, os acompanhamentos.  Porque sempre os amigos, fazemos acontecer, colocamos a mesa ... e mesmo sem mesa alguma, bebemos das alegrias, dividimos as tristezas, tanto e por tantas vezes, até que elas fiquem bem pequenas e não nos incomodem tanto.

Quando o encontro acaba, é como se tivéssemos estado numa espécie de paraíso, por um tempo curto demais.  Nem nos lembramos dos acompanhamentos, mas sabemos que foram os melhores possíveis, porque saímos saciados, de uma saciedade que deve durar até o próximo encontro, que esperamos - seja em breve.


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O VIOLÃO E O TRAPÉZIO

Março se foi, levando junto com suas águas, o que não mais servia.  Março e sua promessa - isso já deu canção.

Nas grandes enchentes, o aguaceiro revolve o fundo, remexendo o que estava quieto e o leva à superfície.

A exemplo das inundações, depois que passam as águas, deixam suas marcas nos muros; nas grades, os resquícios agarrados a elas.  Tudo o que não foi levado com a água, num lembrete de sua passagem, nos avisa de que é preciso uma urgente limpeza sincera, gastando água limpa dessa vez, para dar fim a sujeira encalhada no seco, não levada pela água suja.

Quase o que se deu com meu violão, mas não exatamente o mesmo.  Olhei para ele, e vi nas suas cordas, alguns resquícios do aguaceiro que por elas passou, dependurados, resistentes à força das águas, esperneantes e vivos, com seus membros musculosos e fortes de circenses, se recusaram em ir embora, permanecem presos às cordas, como se se prendessem ao trapézio.

Estes, os levarei comigo, abril adentro, até um novo março.




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A LUA, À SUA IMAGEM

Finge-se de moça-menina
pra deitar-se em cama espelhada.
Mas é senhora experimentada
procurando superfície cristalina
onde possa sua imagem
retratar uma linda miragem
enquanto vivente em outro lugar
querendo a todos impressionar.

A água do mar, rio e lago
se tranquila, lhe é fiel
agitada, lhe faz afago
e usa de um bom pincel
pra melhorar as suas faces
com inúmeras nuances.

Uma onda, ou corredeira 
pedra jogada, num momento
lhe transforma em faladeira
lhe dá vida e movimento.

É muito caprichosa
é mulher, é vaidosa
não perde oportunidade
de esconder a sua idade.

Eu a vejo nos teus olhos
em pequenos vidrilhos
no fundo do meu drinque
mesmo depois do tranque.

Seu reflexo é sempre belo
puro, límpido e singelo
onde quer que seja, esteja
sempre em forma de cereja.

06/04/18
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CLARICE TEM RAZÃO!

Faz algum tempo,  
deixei de usar meus óculos de lentes coloridas
     ... ele ajustava as imagens pra mim.
E  o que deveria significar - 'a minha liberdade'
     ... já que enxergo melhor ...
na verdade foi mesmo - um decreto de morte!

Morte da esperança
     ... de que as coisas poderiam melhorar!?
Morte da resistência à frustração
     ...  perdi o filtro que me protegia!
Morte do sonho
     ... implosão do meu castelo!

O mais estranho é que ...
enquanto quase tudo morre ou desmorona
minha consciência fica cada vez mais desperta!
É indiretamente proporcional à ilusão!

A frustração me atinge na cara, sem escudo
acerta em cheio o meu nariz
e como dói!

Chego até a sentir saudade dos meus óculos
... com ele eu podia dourar a pílula
... ver tudo azul – verde – rosa!
... até fazer de conta que não era tão triste!

Mas não funcionaria  mais
... isso só acontecia porque
não percebia que  estava com ele!
Tornou-se  objeto desnecessário
...  por ter perdido a utilidade!


Hoje, vou fazer como disse Clarice
‘vou colocar-me numa  redoma ...
vou poupar-me  ...  como se fosse de ouro’!

06/04/16






Retrato de Clarice Lispector feito por Dimitri Ismailovitch em 1974.

Clarice Lispector, nascida Chaya Pinkhasovna Lispector, foi uma escritora e jornalista ucraniana naturalizada brasileira. Autora de romances, contos e ensaios, é considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século XX e a maior escritora judia desde Franz Kafka.  10/12/20 - 09/12/77    Wikipédia


sexta-feira, 5 de abril de 2019

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ESTRANHA SEMENTE

Estranha semente germinada
que a revelia cresce acanhada
                                         do verde-velho já desistente
                                         em meio a rama lá existente.

                                         Independente, foi colocar-se
no coração, em chão fértil
                                         só percebida ao despontar-se
                                         de afeição a amor, fácil.

                                         Procura espaço a ocupar
lugar ainda a preencher
                                         entre espinhos a se esquivar
                                         em silêncio teima em crescer.

                                          O vento a trouxe, decerto!
                                          se for, bendito vento!
                                          Bendito chão, 
que ainda é fértil!

01/05/08

Este é o meu quarto texto publicado e um de meus preferidos, ele faz alusão ao coração que se apaixona, quando não se espera mais que isso aconteça. 





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UM OLHAR VERDADEIRO 

Não vou olhar-te nos olhos
corro o risco de que eles vejam
o que meu olhar tenta esconder!

 Melhor seria ... desviar o olhar
ou manter meus olhos fechados
assim  poderia 
manter escondido de ti
o que eles guardam!

Se os teus olhos fixassem os meus
ficaria evidente ...
a verdade atrás deles ...
Eles não sabem mentir!

05/04/16


quinta-feira, 4 de abril de 2019

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UM OLHAR SOBRE O COMPORTAMENTO HUMANO
UM CONVITE À REFLEXÃO


Um recomeço é bem mais difícil do que um começo.

Ao começarmos, temos todas as nossas expectativas atuantes; as nossas reservas de paciência e esperança, intactas e em seus níveis mais altos.  Ingenuamente enganados pela nossa doce ignorância, desconhecemos as tantas variáveis envolvidas, das quais depende o desfecho positivo do nosso intento - o sucesso.

Quando recomeçamos, temos sempre 'saldos anteriores', a serem considerados, que devem ser computados pela nossa contabilidade, um tanto prejudicada.  Dúvida, medo da repetição de resultados infrutíferos, com expectativas, paciência e esperança diminuídas, alguém já disse, que os nossos monstros têm o tamanho dos nossos medos.

Embora a nossa intenção seja das melhores, nem sempre acertamos.  Sem mencionar, que carregamos também, os fatos desagradáveis, na memória dos nossos sentimentos e das nossas sensações, o que chega até doer na pele, só em pensar, passarmos por  tudo de novo.  

A vida é um sucessivo, errar, errar, errar ... por fim, acertar - então, aprendemos como se faz.  Infelizmente, nem sempre a mesma receita, pode ser aplicada duas vezes, com êxito.

Novas chances que damos, e nos damos, não significam e nem garantem, que não sofreremos pelas mesmas coisas, ou por outras novas.  As situações que enfrentamos no dia a dia, são dinâmicas, apresentam sempre novos desdobramentos, a cada escolha nossa.

Cada 'fracasso' nosso - vamos chamar assim - mina nossa confiança no acerto, porque cada vez que tentamos, conhecemos novas incógnitas, de um mesma circunstância, lembrando que um problema pode ter várias faces e fases.  

Por essa mesma razão, não há fracasso, como nós o entendemos, o que se dá, é que vamos galgando o nosso aprimoramento como pessoas de boa vontade, de degrau em degrau, passando de uma fase à outra.

Podemos garantir 'a nossa parte', mas a 'outra' - não podemos prever como vai se comportar, e convenhamos que a nossa parte é bem pequena perante o montante da questão.  Às vezes nem imaginamos com o que estamos mexendo, pode ser grande demais para nós.

Não acredito que saímos por aí, correndo atrás da felicidade, como um 'coelhinho' desesperado, em abocanhar a 'cenoura' à frente; digo que, em sã consciência, não é isso que ocorre, pelo menos para as pessoas de um nível de consciência, um pouco menos inconsciente, por assim dizer.

Acredito seriamente, que o que o almejamos, é a nossa plenitude como seres viventes, com obrigações e direitos, em equilíbrio com as forças de que dispomos. O que procuramos é estar em paz com a nossa consciência, quanto ao que podemos fazer, até onde podemos ir.  

Termos nossos sentimentos, pensamentos e atitudes em harmonia, é o que nos faz plenos. Os três alinhados, como pontos de um mesmo meridiano.  

Cabeça, coração e mãos, na mesma linha de dimensão de comprimento, ou altura, aqui no caso.  Do contrário, teremos um conflito, bem dentro de nós.

Para mim, a felicidade é apenas o resultado dessa busca, desse alinhamento - um efeito colateral seu.

04/04/19