quarta-feira, 3 de abril de 2019

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       CÉU

Procuro  por  ele  ...
num lugar circunscrito e macio!
Não  o  encontro!
Busco documentos, que comprovem sua existência
ou relatos, dos que lá estiveram ...
não há!

Sigo o meu caminhar
questionando a ideia
(como tantas outras)!

...E
me deparo com a mãe
que amamenta o filho robusto ao peito
enquanto contempla
a beleza de sua inocência.

O céu está na consciência tranquila

da missão cumprida!


...Eu o vislumbro
na coexistência pacífica
de todas as espécies na terra!

Todos sonhamos com o céu
utopias de cada um,muitos céus particulares
com regras e interesses individuais
ainda conflitantes entre si

muitos deles!


E se sonhamos tanto com isso
é porque é passível de se tornar real
até que um dia o sonho de ‘céu’
comum  e  coletivo
for unânime ...
aí então teremos o verdadeiro céu!

Quando esse sonho sonhado junto
for obediente às regras de
convivência e respeito
a todos os seres da criação ...
a todas as naturezas ...
conheceremos o céu verdadeiro!

Nessa fase em que ainda vivemos
céu e inferno se mesclam!
Enquanto a vida prevalece numa cena ...
a injustiça corrói e arrasa
num canto não muito distante!

Falo do céu do qual não nos falaram
por desconhecerem uma outra possibilidade
e acreditarem que ele só seria possível
se fosse de azul e algodão ...
Por não conceberem algo diferente
como representação de plenitude e felicidade!
03/04/16

terça-feira, 2 de abril de 2019

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A VERDADEIRA CARÍCIA


Ao toque, que à alma não toca 
logo, a repulsa desentoca.

Porque a alma bem sabe
o quanto de doce cabe
num toque suave
quanto mais fundo crave
suas delicadas fibras.
Como se lhe falasse em libras
ela ouve e sente
a autenticidade presente.

Ao toque, que só toca a pele
bem cedo, a pele repele!

02/04/19


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ÁGUAS MÁS

Estou certa, de que não é a primeira vez, nem será a última, que me refiro ao fato, de que tudo o que escrevo, leva parte do meu d.n.a., uma particularidade minha desvendada, uma nuance pincelada da verdadeira cor da minha alma.

Não é preciso conhecer uma pessoa, ao vivo, para saber como ela pensa, ou como ela sente, porque cedo ou tarde, por mais enfeite que use, quem escreve, sempre trai a si mesmo.  Tentando manter escondido, acaba por revelar o que não deseja, e de certa forma - surpreende-se a si mesmo, em primeira instância, com o resultado final.  Quem escreve, tem o poder de conduzir o olhar de quem lê, para algum ponto em específico, remetendo-o a um foco em particular, mas sobretudo, falando muito mais sobre a sombra, do que propriamente, sobre o ponto ao qual projeta luz.
  
Eu lhes digo, que no fundo de cada 'ai' (em cada partilha minha, em cada fato descortinado), existe um 'dodói', o que faz com que cada ai, se torne genuíno, legítimo, verdadeiro; afirmado e reafirmado aqui, pela minha redundância. 

Acabo por colocar-me numa vitrine, à mostra, sujeita à apreciação e julgamento.  Por favor, apreciem ... mas quanto ao julgamento, não se apressem em fazê-lo.

Algumas vezes, até cheguei a pensar, que deveria ter vivido à época do romantismo - ideia que logo depois abandono, para voltar ao meu tempo real, pois a liberdade de expressão que reivindico, só é possível nos dias de hoje.  Posso através das palavras, emitir gritos, ainda que as escreva silenciosamente.  Posso usar de linguagem branda ou taxativa e falar sobre qualquer assunto.

"Em cada conto, um ponto" ... e em cada ponto, sempre há um pouco de sangue, vertido pela transparência despudorada, com um tanto de coragem.   Nada do que eu revelo, através da escrita, deixa de estar inscrito, muito antes, na minha pele, sob as camadas mais profundas de sensibilidade.

Eu seria uma mentirosa descarada, se dissesse o contrário: de que não temo os efeitos dessas águas más, que elas não me afetam profundamente, muito mais do que suponho e quero. Sei que devo aprender a conviver com elas, a aceitar que apareceram em meu caminho, que é preciso uma carapaça impermeável, a ser moldada por mim, para que eu possa transitar por novas delas, ou repassar as antigas.  Mas eu as temo!

02/04/19

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DUAS
Reviradas estamos, as duas
 debaixo de quaisquer luas
(mais as intenções oblíquas)
... eu e minha dor crônica
 (sob a mesma força antagônica)
... que de tão crônica é irônica ...
a dor, dissoluta, sabe falsear!
Aprendeu a latejar
mas só quando apreciar
ter importância maior que a minha
(em me fazer de ‘tadinha’)
e se sentir rainha!
07/04/17

arte | megan diddie


segunda-feira, 1 de abril de 2019

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CÁUSTICO E MORDAZ    

Sou eu quem faço um
Acróstico ao sarcasmo
Rio e me divirto
Com os defeitos alheios, cutuco
Á todos, aponto como deboche
Sou muito criativo e saboreio
Todos, me divertem
Invento as minhas piadas
Comigo? ninguém mexa! 
outro? oras, com ele é engraçado!

01/04/18

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GRAVURA E MOLDURA



Uma disparidade na parede
é coisa até que aceitável
outra, em você – é deplorável
... muito cuidado pede!
Bem cara foi a moldura ...
nem tanto vale a  gravura?

Na parede é decoração
na pessoa, contravenção
propaganda enganosa
com aparência ruidosa!
Se o que importa é conteúdo
não a face de veludo
nem o porte polpudo!
É o que desfigura
a própria figura!

Sem satisfação garantida
mostra uma verdade mentida!
É a moldura para o quadro
simples questão de enquadro!

01//04/17


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FRUTOS AMARGOS 

Eu
sinto muito
se não queres andar!
Não vou ficar ao teu lado
e paralisar a minha caminhada
tenho ainda muito chão pela frente!
Quem não anda faz buraco com os pés
experimentes parar na areia da praia ...
quando vierem as ondas batendo em ti
teus pés imóveis cavarão uma cova
vejas o buraco em que afundarás!
A vida me empurra adiante
ou me puxa pelas mãos ...
Resistência à mudança
não foi antes
não é
nunca será
firmeza de caráter!
Não querer ver
inventar outra estória e
esconder-se ... não é maduro!
Não são 'virtudes''a se copiar 
nem patrimônio a resguardar!
A  pessoa semeia
 pés de frutos
amargos!

01/04/16