Osho Na Minha Vida.
'Você é realmente você mesmo?
Ou está apenas fingindo ser alguém que a multidão ao seu redor queria que você fosse?
Para mim, um buscador da verdade deveria começar por abandonar tudo o que é falso nele, porque o falso não pode buscar a verdade.
O falso é a barreira entre você e a verdade. Se tudo o que é falso for abandonado, você não precisa buscar pela verdade – a verdade virá até você.
Na verdade, quando eu digo, ‘A verdade virá até você’, isto são apenas palavras. Quando tudo o que é falso é abandonado, você é a verdade.
Nada vem e nada vai.
Não existe jornada.'
(Osho)
sábado, 2 de julho de 2016
Numa relação abusiva, um perverso
narcisista faz uso de muitos artifícios para subverter sua vítima a seu intento
secreto e sinistro. A maioria deles, entretanto, passa despercebido a olho nu.
Na verdade, mais do que isso: às vezes é necessário que o relacionamento avance
até posteriores etapas para, somente então, o abuso ficar evidente. Sim, o
enredamento é confuso. É uma teia tão maligna que engana até quem já o viu em
ação - a prova disso é um alto número de psicólogos que já caiu nessa
armadilha. A sutileza de um perverso narcisista é uma verdadeira arte!
A meta deste tipo de parasita é
assustadora: levar sua vítima à completa destruição. Esta pode ser tanto
simbólica quanto a verdadeira ruína. O sucesso desta monstruosidade pode
significar a aniquilação psíquica da vítima, não raras vezes culminando em
suicídio ou na loucura. O perverso narcisista está obstinado a provar que sua
vítima é inferior e insignificante, a vampirizar até que não mais que um buraco
vazio de agonia reste onde antes havia algum brilho. Somente quando a vítima
estiver no escuro, ele sente que pode brilhar.
Mas falando disso assim pode
parecer algo distante e abstrato. Afinal de contas, como o perverso narcisista
consegue isso? Quais mecanismos ele usa? Até mesmo para quem já vivenciou na
carne isso pode parecer difícil visualizar o exato movimento, é muito mais
fácil perceber seu resultado.
Bom, como mencionei, os
mecanismos são muitos. Aqui, vou abordar apenas um: a relação de
controle-descontrole.
Durante o relacionamento, ainda
em suas fases iniciais, embora menos perceptivo nestas, o perverso narcisista -
e vale ressaltar que pode ser a perversa narcista e que podem ser relações
hétero ou homossexuais - tateia a vítima com muita sutileza. Enquanto a seduz,
esta abre seu coração e permite, assim, que o parasita adentre ao seu bem mais
precioso: a sua alma e intimidade!
Lá dentro, ele encontra, pouco a
pouco, as fragilidades da vítima. Ele busca transformar justamente aquilo que é
a sua força em migalhas. Desta forma, vai desvalorizando os seus valores e,
para isso, conta com o cúmplice perfeito: a própria vítima, porque ele a leva a
crer nisso.
Passado o estágio do
encantamento, o algoz começa a transformar seu “amor” no que ele
verdadeiramente é: ódio. Ele troca de máscara, agora, para uma mais verdadeira.
Assim, começa a direcionar ataques sutis à sua vítima: elege a ela um
“apelidinho carinhoso”, mas que denigre sua autoestima; incuti-lhe uma culpa
pesada e incisiva; isola e a faz perder a rede de apoio; absorve os sentidos de
sua vida e a faz orbitar em torno do massivo buraco negro que ele é; etc.
A vítima confusa e sem
entender vai mergulhando mais e mais
numa lama tóxica sufocante. Se ela não se levanta e deixa se abater, vem o
descarte: ela não tem mais valor, sua luz se apagou!
Mas é quando ela ensaia se erguer
que a coisa fica realmente feia.
O perverso narcisista, com sua
delicadeza venenosa, vai tocando a vítima em seus pontos fracos de maneira
frequente. Quanto mais sente a dor, mais toca. É como uma verdadeira tortura:
uma gota fresca de água pingando sobre o peito nu. No primeiro momento, ela
pode parecer refrescante. Mas ela continua. E continua. E continua. Seu frescor
passa a se tornar gelado e a cada vez que pinga a sensação é de um verdadeiro
choque! Assim, uma coisa simples se transforma numa potente arma.
A vítima se descompensa. Ela
perde o controle. Quando faz isso, finalmente o perverso narcisista atingiu
aquilo que almeja: provar que a vítima é insana e culpada! Este momento, para
ele, conserva um verdadeiro prazer, porque é prova de que ele é superior,
inocente e bom, enquanto a vítima se torna o inverso.
Vamos a um exemplo prático que
observei há poucos dias: o perverso narcisista elegeu um “apelidinho” para sua
vítima. Ela, num surto de força e vivacidade que volta a fluir por seu corpo,
se defende e diz: não sou isso! Mas não pára por aí: ele busca um cúmplice que
também evoca o apelido. A vítima, uma pessoa muito controlada, ensandecida
manda ele tomar naquele lugar abertamente no Facebook. Vale lembrar que seu
face também é profissional. Vale lembrar também que agora o algoz passa a ter
uma carta na manga: ele também é vítima!
Assim, o perverso narcisista vai
coletando seus pequenos tesouros. Pouco a pouco, vai fazendo com que eles
ressurjam na relação, mas, desta vez, de maneira acusatória contra a vítima.
Esta, ciente do que fez, ciente de sua descompensação não habitual, passa a se
culpar. O plano perverso segue seu ritmo. Ela mesma passa a se denegrir,
sujando seu nome e imagem com a lama tóxica que engoliu e agora vomita. O risco
e também armadilha é ter o mundo como platéia se virando contra ela.
Nestes momentos ocorre uma das
formas de drenagem: o perverso, ao destituir a vítima de seu controle, assume
ele próprio. O seu descontrole é o controle do perverso! Quando ele corrompe a
vítima, passa a absorver nele as características dela que inveja: ele é o
controlado, ele é que tem a razão, ela é a louca e odiosa e ele o bom.
Entretanto, estes momentos de
descontrole podem também ser igualmente preciosos. Com os últimos resquícios de
saúde, a vítima consegue se levantar. Reagindo, está a um passo da tomada de
consciência. Se continuar neste jogo, ela vai tombar e perder. Se conseguir
visualizar o que acontece, poderá lutar e investir suas forças em sair deste
poço.
Nunca desista de você!
Relações Perigosas.
________________________________________________________________________
Complemento: Uma violência silenciosa: considerações sobre a perversão narcísica
por André Martins *
* Filósofo, Psicanalista, Membro Efetivo/CPRJ e do Espace Analytique de Paris, Professor Associado
da UFRJ (Faculdade de Medicina e Instituto de Filosofia e Ciências Sociais), Doutor em
Filosofia, Doutor em Teoria Psicanalítica, Pós-Doutorado Sênior em Filosofia.
Introdução
O silêncio da violência exercida pelo perverso narcísico sobre seu cúmplice não é do mesmo tipo de uma relação sádica ou sado-masoquista, tampouco a vítima da agressão silencia porque se sente intimidada. Essa violência é silenciosa e a vítima a sofre de maneira silenciosa, porque se trata de uma violência velada e insidiosa, não assumida pelo agressor, negada e denegada por ele, que sutilmente inverte a relação acusando o outro de ser o culpado pela situação. Desta forma, a vítima se sente confusa e acaba por sentir-se culpada, o que, por sua vez, inocenta o agressor. Não se trata de uma violência física, e esta não é pontual: estende-se ao longo do tempo. Neste texto, buscarei caracterizá-la fenomênica e metapsicologicamente, a partir da literatura psicanalítica sobre o tema e de minha observação clínica.
Trata-se de um tipo de perversão que, embora certamente sempre tenha existido, talvez encontre na cultura contemporânea um terreno particularmente fértil, tornando-se mais comum do que poderíamos supor. Não é uma perversão explícita, mas ao contrário, imiscui-se no dia a dia, nas pequenas relações, nos pequenos atos, tendendo, assim, a passar despercebida. Em geral, até mesmo a vítima leva um longo tempo para perceber, e sobretudo para reconhecer, estupefata, que está presa nessa teia, posta nesse lugar; que tem sido cúmplice dessa violência silenciosa, a qual ela não desejou, mas que vem ao longo do tempo fazendo ruir sua auto-estima e sua paz interior.
O silêncio da violência exercida pelo perverso narcísico sobre seu cúmplice não é do mesmo tipo de uma relação sádica ou sado-masoquista, tampouco a vítima da agressão silencia porque se sente intimidada. Essa violência é silenciosa e a vítima a sofre de maneira silenciosa, porque se trata de uma violência velada e insidiosa, não assumida pelo agressor, negada e denegada por ele, que sutilmente inverte a relação acusando o outro de ser o culpado pela situação. Desta forma, a vítima se sente confusa e acaba por sentir-se culpada, o que, por sua vez, inocenta o agressor. Não se trata de uma violência física, e esta não é pontual: estende-se ao longo do tempo. Neste texto, buscarei caracterizá-la fenomênica e metapsicologicamente, a partir da literatura psicanalítica sobre o tema e de minha observação clínica.
Trata-se de um tipo de perversão que, embora certamente sempre tenha existido, talvez encontre na cultura contemporânea um terreno particularmente fértil, tornando-se mais comum do que poderíamos supor. Não é uma perversão explícita, mas ao contrário, imiscui-se no dia a dia, nas pequenas relações, nos pequenos atos, tendendo, assim, a passar despercebida. Em geral, até mesmo a vítima leva um longo tempo para perceber, e sobretudo para reconhecer, estupefata, que está presa nessa teia, posta nesse lugar; que tem sido cúmplice dessa violência silenciosa, a qual ela não desejou, mas que vem ao longo do tempo fazendo ruir sua auto-estima e sua paz interior.
.
QUANDO A MENTE ENTRISTECE, O CORPO ADOECE!
Era uma segunda-feira. Acordei e
me dei conta de que no dia seguinte faria um ano que parti para uma viagem
surpreendente e até maluca, como diriam alguns. Eu pensei: um ano!
Em vez da alegria que me é comum,
um sentimento áspero de nostalgia tomou conta da manhã. Não era tristeza
daquelas que doem. É daquele tipo que aperta. Como alguém que segura um pedaço
da pele do nosso braço e torce lentamente com a ponta dos dedos. Não dói, mas
incomoda, invade, aflige.
Por que alguém ficaria triste com
a lembrança de uma das melhores fases da vida? Não sei, apenas fica. Nada de
arrependimento, de dor, de insatisfação.
Somente o desejo de querer
voltar, de reviver, de reexistir, de reexperimentar, de sentir aquele frio na
barriga ao olhar para trás, por cima do ombro, e dizer silenciosamente aos que
ficam: eu vou ali estender um pouco a estrada da minha existência, mas logo
volto.
Porque o caminho que a gente
constrói nos leva ao desconhecido, mas sempre permite a volta pelas veredas já
trilhadas na vida.
Os sintomas
Algumas lágrimas molharam a segunda-feira nublada, estremeceram o
coração e magoaram essa caixinha que chamamos de corpo. Logo que cheguei em
Portugal, descobri que quando alguém fica magoado, significa que foi ferido
fisicamente. Não é a mágoa emocional, aquela que de cara associamos à decepção
ou à ofensa.
Eu estava magoada. E naquela noite de início de semana, a garganta
fechou, a temperatura do corpo subiu, as costas se comprimiram. A melancolia
logo deu lugar à dor física. Sim, essa que faz a gente desengavetar termômetro,
correr para a farmácia e entupir a cabeceira da cama de caixinhas coloridas e
de nomes estranhos. De oito em oito horas, elas nos lembram o quanto somos frágeis
e estranhamente voláteis.
O diagnóstico
Quem tropeçava
em mim durante a semana dizia: “ah, esse clima louco faz isso com a gente”. Eu
ouvia, concordava, e tentava encontrar os motivos para estar tão vulnerável. Na
sexta-feira, quando a semana já ia se abraçando ao esperado repouso, em uma
reunião, fui questionada sobre estar doente:
– Você está
assim porque tem algo a falar e não está sendo ouvida?
A pergunta foi
abrupta. Não era a indagação que as pessoas estavam me fazendo nos últimos
dias, com ligeiras associações ao tempo chuvoso na cidade. E eu sutilmente
lembrei da infância e de um livro que havia na casa da minha mãe. Falava sobre
a origem emocional para as dores físicas. Lembrei de como me sinto cada vez que
a garganta dói e daquele sentimento de que preciso falar algo importante a
alguém. Só que não sai.
A cura
Até aquele momento de provocação,
bem ali na minha frente, eu não havia me dado conta de que a dor era apenas um
desejo de gritar. Até então, não havia uma conexão clara entre a tristeza pela
manhã e a fragilidade na noite da segunda-feira.
Existe uma ponte entre os dois
momentos, por isso, a influência dos sentimentos sobre a saúde física já está
sendo tão estudada. Nosso corpo é uma máquina mágica e, acima de tudo,
inteligente. Há uma linha muito tênue dividindo o nosso sentir físico do nosso
sentir emocional e, no dia a dia, automaticamente estamos buscando o equilíbrio
entre esses dois “sentires”.
Parece simples e óbvio, não é
mesmo? Mas acontece de forma muito involuntária, baseada na forma como reagimos
às situações que se apresentam. Não é uma reação consciente e somente quando me
dei conta, eu pude ver com clareza o que era necessário para eu curar aquela
feridinha invisível.
Além dos cuidados médicos, eu
precisava restaurar o equilíbrio, resgatar o amor pelo presente, perceber que
nem sempre vamos estar fazendo o que desejamos. Entre uma colherada de xarope e
outra, podemos nos preparar para esses futuros momentos que intimamente
ansiamos. Dar um novo significado ao agora é o que nos fortalece para a etapa
seguinte.
O olhar costuma estar voltado
para o objetivo em si, mas, e como chegar até ele? O caminho às vezes é chato,
árduo, longo… mas faz parte da jornada. Entender o sentido de cada ciclo é ter
a liberdade e a consciência de que cada nuance do seu caminhar é extremamente
necessária para o seu chegar.
214_________________________________________________
‘Come-se o boi, aos bifes’
Me perdoem se me demoro e insisto nesse tema, mas é
que ele me parece ainda, muito oportuno.
Interesso-me, não só pelo que sai da minha boca, como também pela forma
que toma ao sair. Porque isso se dá,
segundo ‘como’ eu recebo os fatos e os interpreto ... formando assim meu
‘catálogo de referências’ que será constantemente consultado. O modo como meu cérebro(hardware) é capaz de hospedar a mente(software).
É sobre as ferramentas/instrumentos/mecanismos
(*) ... ocultos e não, que me capacitam ao entendimento do que me é
mostrado. A alguns, eu já fui
apresentada e guardo seus nomes e fisionomias, outros ainda não ... sei das
suas existências, trago-as latentes ou desconhecidas, ou as duas coisas.
Procuro ficar atenta em identificar em mim, quais
deles (*), estão na base da minha compreensão parcial possível por
ora; quais possibilitam, quais limitam minha visão temporária! Um pouco de cada vez, senão não darei conta!
Só é possível elaborar respostas, a partir daquelas
que já possuo (as que reverberam em mim, porque fazem sentido e não porque ouvi
falar). Assim sendo, se eu ainda não as
tiver, aquelas ... as primeiras, não
estarei pronta para ‘ouvir e captar’ na integralidade a informação, seja ela
clara e necessária para minha evolução. Mesmo
se me desenharem!!! Ficarei apenas com o
que conseguir reter, na medida exata que permitir meu prévio conhecimento. Muito em breve, isso tudo me será novamente
apresentado ... então quem sabe, com um recipiente um pouco maior, conseguirei
enfim elaborar as respostas tão cruciais
... às vezes tão óbvias ... e por isso mesmo tão imperceptíveis!
Eu preciso de coragem, para admitir que me apercebo
sendo dirigida e enganada, algumas vezes, nas minhas ‘pretensas verdades’. Sinto surgirem respostas tendenciosas, a
princípio não observáveis, mas que com um pouco menos de véu, eu conseguirei encarar! Cada dia, um grauzinho a mais na consciência!" Hoje melhor que ontem, amanhã um pouco melhor que hoje!"
Dessa forma, desenvolvo uma maior sensibilidade para supor,
que o comportamento alheio - a exemplo do
que acontece comigo - pode também estar sendo direcionado por seus ‘conteúdos’. Comportamentos que obedecem a uma conhecida ‘lógica
ilógica’ ... mas que certamente reverenciam à ‘ilógica lógica’ ... a que
estamos fadados a re_conhecer um dia ... entrever uma parcela maior e mais
verdadeira da tão, e até então, relativa verdade!
![]() |
| Em 02/07/16 |
sexta-feira, 1 de julho de 2016
212
* Sobre como ‘penso’ o mundo *
‘A boca fala do que o
coração se enche’
. . .
eu falo do que o
estômago se farta
das revoltas que me
torcem as vísceras
do amargor que estraga o
paladar
dos 'toques' recebidos
das coisas doces também
das coisas doces também
das línguas ferinas que
fazem cadáveres ...
sem deixar de ser uma
delas!
Na verdade a boca fala mesmo
das ideias que pululam na
mente
... coisas que entraram lá
pelos olhos, nariz,
ouvidos e pele ...
e fizeram uma
transformação danada
no que lá já havia
e se fundiram ...
engrossaram
ou conturbaram, repeliram, desagregaram
moldaram ...
produziram
submergiram para depois
emergir
... o que ora relato:
Penso como vejo, cheiro, escuto e sinto!
Assinar:
Postagens (Atom)






