domingo, 22 de março de 2026

 1718



CARTA À VIDA

Hoje, colho mais uma primavera.  Para que isso fosse possível, foi preciso que eu soubesse suportar os rigores do frio, compreendesse as oscilações de temperatura e aceitasse as inclemências do calor - nada mais justo!

Foi preciso que muitos viessem antes de mim, abrindo o caminho e preparando o momento de eu poder existir.  Sou grata a todos meus predecessores, para que eu pudesse estar aqui.

Foi preciso que muitos outros cruzassem ou tangenciassem a linha da minha história, para me ensinar e me fazer crescer.  Sou grata a todos, que de uma forma ou outra deixaram lembranças por terem ido, e aos que ainda permanecem comigo.  

Gratidão aos meus irmãos de sangue e aos meus irmãos em espírito; nunca houve ninguém com quem não tenha aprendido algo.  Tudo nos serve de exemplo, bom para ser copiado e mau para ser evitado.

Obrigada pela infinidade de cores e sabores, por todos os tipos de amores; pelas horas compridas de tristeza e pelas breves de alegria, sei que ainda virão muitas, de todo tipo.  

Sou grata por todos os dias, por este em especial e por todos os outros que terei!

Gratidão à vida, a todas essas intempéries vencidas, a todos esses ramalhetes colhidos, e a essa mesma vida que flui depois da minha - a vida que recebi e passei adiante.









terça-feira, 10 de março de 2026

 1717



COMO ANTES

A manhã estava calma.  As folhas das árvores choravam o orvalho, que tinha caído sobre elas, mais cedo.  Não havia pressa no tempo, e o silêncio dormia numa rede, balancando-se de um lado a outro, com a brisa.  

Os passos quase sem pressa, de quem se aventurava, a andar 'indo e vindo', não eram audíveis.

Bem ao longe podia-se ouvir um cãozinho latindo.  Não se ouvia nenhum galo cantando, porque não se fazem mais 'galos cantantes', como antigamente.  Não se fazem 'antigamentes', como antes.