segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

1716




 OLHOS DE VER 

As nuvens eram esculturas de um material nobre e brilhante, de uma procedência desconhecida, porque não se assemelhava a nada que conhecemos.  Era um misto de metal, antes líquido, que condensou-se em formas lindas dentro de bordas um pouco mais escuras, mas ainda assim, brilhantes e de mesma consistência.  

Não tenho certeza, se não eram vaporosas e ao mesmo tempo tangíveis.  Acho que poderiam ser as duas coisas e mais.  As formas abstratas não me instigaram para procurar desenhos nelas, apenas apreciei seus formatos.


Era preciso contemplá-las, antes que voltassem a ser líquidas, novamente. O que poderia acontecer a qualquer momento, sem deixar nenhum fragmento como rastro.


Estavam ali, sustentadas por fios invisíveis, mas muito fortes, capazes de garantir toda aquela beleza colossal.  


Para quem teve olhos de ver, foi possível admirar todo aquele esplendor!


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

1715




FLOR DE OUTONO

Ela nasceu num tempo em que as folhas já estavam amareladas.  Nenhuma outra mais, se viu despontar.  Foi como se estivesse perdida nas estações, atrasada ou mesmo adiantada; porém nada impediu que o fizesse de maneira igualmente bela e perfeita, com o mesmo ímpeto e graça de uma florescência  primaveril.  Reinou sozinha em suas cores, sobressaiu-se, em meio ao contorno envelhecido que o outono lhe proporcionou. Ela veio expressar um amor, nascido no outono da vida, e que nem por isso, deixou de ser verdadeiro e forte.



terça-feira, 6 de janeiro de 2026

1714






SÍNTESE E ATITUDE


Só seguirei adiante, se me despojar de tudo o que 'não foi possível'.  As frustrações que arrasto comigo, pesam nas minhas costas e atrasam o meu passo.  O que 'não aconteceu' transformou-se em carga.  


Esperei demais de mim mesma, almejei algo que estava para além 'da minha possibilidade', do meu controle ou do meu real propósito.


Perdoar-me, primeira atitude - por não poder dar 'satisfação' às expectativas, pois fui feita para carregar apenas aquilo que conquistei, e que apesar de todo empenho, muita coisa ficou só na intenção, sem concretização.  "Mirei no que vi e acertei no que não vi" - é essa, a síntese. 


As coisas que 'não vieram', que fiquem no tempo e no espaço em que eu as criei. Quanto a mim, é preciso caminhar mais leve!